Visita guiada pela freguesia de Requeixo

No domingo, a freguesia de Requeixo foi palco de mais uma visita guiada integrada nas “Tardes com cultura”, promovidas pela Câmara Municipal de Aveiro em parceria com a Associação para a Defesa e Estudo do Património Natural e Cultural da Região de Aveiro (ADERAV), com o apoio da Junta de Freguesia de Requeixo. A ação foi orientada por Amaro Neves, historiador e fundador da ADERAV, e Margarida Ribeiro, do Museu da Cidade.

Na Igreja Matriz, dedicada a S. Paio, Amaro Neves historiou a evolução do templo, desde o século XVII até ao presente, realçando os pormenores de maior interesse artístico e cultural. Aproveitou também para fazer uma resenha sobre a evolução da freguesia, com especial ênfase nas consequências do terramoto de 1755 e na desanexação de Fermentelos. No exterior, chamou a atenção para o portal da fachada principal da igreja, obra de influência joanina (reinado de D. João V), ainda que concluída no reinado de D. José I, e para o cruzeiro, com templete e pieta de dupla face, obra rara no concelho de Aveiro mas de estilo comum na Bairrada.

A paragem seguinte foi no Museu Etnográfico de Requeixo, para uma visita guiada por Margarida Ribeiro, que explicou como são construídos os adobes tradicionais de Requeixo, falando ainda sobre a provável origem espanhola (Galiza) do topónimo Requeixo. Os usos e tradições, com destaque para os agro-marítimos praticados na Pateira (apanha do moliço, pesca, entre outros) também estiveram em foco na sua intervenção.

A Capela de Santo Amaro, que remonta ao século XVII, recebeu a visita seguinte. Esta é uma das três capelas de Requeixo que ainda acolhe regularmente serviços litúrgicos. As outras duas são as capelas do Carregal (N.ª S.ª das Necessidades) e da Taipa (Senhora da Alumieira).

A visita prosseguiu para a Quinta da Costa, cuja casa se encontra em avançado estado de ruína, propriedade que a Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, no tempo em que Amaro Neves era provedor, tentou adquirir para instalar um complexo social complementar ao que possui na Moita. Nessa antiga quinta existiu a Capela da Boa Morte, que foi abandonada devido à peste. Desta capela a Princesa Santa Joana mandou retirar as imagens para a vizinha Capela de Santo Amaro. No século XIX, o bispo D. António Cordeiro instalou aí o Seminário, no período que transitou entre a saída da Vista Alegre e a sua instalação no Paço Episcopal de Aveiro.

A secular Ponte de Requeixo com o seu antigo ancoradouro, no final de uma rua que segue entre velhas quintas, foi o local da paragem seguinte desta visita que terminou junto à Pateira, a maior lagoa natural de água doce da Península Ibérica.

Cardoso Ferreira

Museu Etnográfico fechado

O Museu Etnográfico de Requeixo está encerrado ao público há já algum tempo, não estando ainda prevista uma data para a sua reabertura ao público. Instalado numa casa centenária de uma família de lavradores “remediados”, construída em adobe, o Museu Etnográfico de Requeixo preserva uma coleção constituída por cerca de um milhar de peças, entre mobiliário, utensílios domésticos, alfaias agrícolas, louças, trajes, artesanato local, e outros.

O imóvel foi cedido à Câmara Municipal de Aveiro em regime de comodato, expressamente com o objetivo de expor aquele acervo etnográfico. No entanto, a recente morte do proprietário do edifício motivou a renegociação do contrato com os herdeiros, processo ainda a decorrer.