Santas e Beatas. Figuras femininas da Idade Média
Bento XVI
Paulus
120 páginas
Desde o início do seu pontificado, Bento XVI percorreu nas catequeses das quartas-feiras as grandes figuras da história da teologia e da espiritualidade católica. Encerrado este ciclo, centra-se agora na oração cristã.
“Santas e Beatas. Figuras femininas da Idade Média” recolhe as catequeses que falaram de mulheres, desde Hildegarda de Bingen (1 de setembro de 2010) a Teresa de Lisieux (6 de abril de 2012). Ao contrário do que diz o título, nem todas são da Idade Média. Teresa de Ávila, espanhola, viveu no séc. XVI, e Teresa de Lisieux (Santa Teresinha do Menino Jesus), francesa, viveu no final do séc. XIX. As restantes 15 figuras femininas são, de facto, medievais: Hildegarda de Bingen (Alemanha, séc. XII), Clara de Assis (Itália, séc. XII-XIII), Matilde de Hackeborn (Alemanha, séc. XIII), Gertrudes (Alemanha, séc. XIII), Ângela de Foligno (Itália, séc. XIII-XIV), Isabel da Hungria (Hungria, séc. XIII), Brígida da Suécia (Suécia, séc. XIV), Margarida de Oingt (França, séc. XIII-XIV), Juliana de Cornillon (Bélgica, séc. XII-XIII), Catarina de Sena (Itália, séc. XIV), Juliana de Norwich (Inglaterra, séc. XIV-XV), Catarina de Bolonha (Itália, séc. XV), Catarina de Génova (Itália, séc. XV) e Joana d’Arc (França, séc. XV).
Registe-se que a Hildegarda de Bingen Bento XVI dedica duas catequeses. Destaca claramente esta figura e há uma razão para isso. Em outubro próximo, no contexto do sínodo para a nova evangelização, a mística alemã será proclamada doutora da Igreja. Será a quarta mulher doutora (há mais 31 doutores, contando com João de Ávila, que também será declarado em outubro). As outras são Catarina de Sena, Teresa de Ávila e Teresa de Lisieux, todas proclamadas a partir de 1970. Refira-se, ainda, que Hildegarda, tratada como “santa” neste volume, ainda não foi canonizada. Sê-lo-á brevemente, espera-se, porque, no dia 10 de maio passado, o Papa estendeu a toda a Igreja o culto a esta beata.
Na presente obra, Bento XVI afirma que as visões “místicas de Hildegarda são ricas de conteúdos teológicos”, pois abordam os “acontecimentos principais da história da salvação e utilizam uma linguagem sobretudo poética e simbólica”, como é o caso do “tema do matrimónio místico entre Deus e a humanidade, realizado na Encarnação”.
Além de ter escrito obras teológicas, Hildegarda ocupou-se da medicina e das ciências naturais e escreveu música, mostrando, contra o preconceito que ainda persiste em relação à Idade Média, que havia nos mosteiros grande “versatilidade de interesses” e “vivacidade cultural”.
