Navio-escola “Sagres” leva Portugal ao mundo

Em 50 anos ao serviço de Portugal, o “Sagres” visitou 60 países. Conferência no ISCIA destacou feitos deste símbolo nacional.

Nuno Sardinha Monteiro, comandante do navio-escola “Sagres” proferiu uma palestra no Instituto Superior de Ciências da Informação e da Comunicação (ISCIA), em Aveiro, no âmbito das comemorações do cinquentenário do navio-escola “Sagres” e do 75.º aniversário da construção do navio.

O atual navio-escola da Marinha Portuguesa foi construído na Alemanha, em 1937, integrando um conjunto de quatro veleiros “irmãos” destinados à marinha alemã, recebendo então o nome de “Albert Leo Schlageter”, começou por historiar Nuno Sardinha Monteiro, explicando que no final da II Grande Guerra, o navio passou para a posse dos americanos que, por sua vez, o cederam ao Brasil, país que o utilizou como navio-escola até 1961. Nesse ano, foi adquirido pela Marinha Portuguesa, por 150.000 dólares que, ao câmbio da época, equivalia a 4.500 contos, que na moeda atual seriam cerca de 22.500 euros.

Em 1962, já com o nome de “Sagres”, entrou ao serviço da Marinha Portuguesa, como navio-escola, substituindo o anterior navio-escola, também designado por “Sagres”, que deixou de estar operacional em 1960. O primeiro comandante do novo “Sagres” foi o capitão-tenente Silva Horta, que fora o último comandante do anterior “Sagres”.

Nuno Sardinha Monteiro realçou que o “Sagres” é um navio da Escola Naval e também uma “escola de vida”, para além de ser um embaixador de Portugal, fazendo diplomacia naval e também diplomacia económica e cultural.

Nestes 50 anos como navio-escola, o “Sagres” visitou 166 portos em cerca de 60 países, fez três viagens de circum-navegação e percorreu um número de milhas suficiente para completar 27 voltas ao mundo.

No total, neste meio século, o “Sagres” passou um número de horas equivalente a 27 anos fora de Portugal, e desses, cerca de 11 anos em navegação.

Foram mais de 4.000 cadetes dos 50 cursos da Escola Naval que embarcaram no “Sagres”.

Nuno Sardinha Monteiro realçou que o “Sagres” foi o primeiro navio da armada de um país da NATO a visitar a antiga União Soviética (o porto de Leninegrado). Igualmente, foi o primeiro navio da armada de um país ocidental a visitar a China após a implantação do regime comunista, e foi também o primeiro navio português a visitar a Índia após a ocupação dos antigos territórios portugueses na Índia.

C.F.