Porta da Fé

As manifestações religiosas proliferam, neste tempo de verão, como cogumelos. E não são apenas as festividades religiosas. São também as realizações de sacramentos. Embora escasseiem matrimónios, por razões de uma incompreensível cultura de falsa liberdade, que se confunde com a fuga a compromissos e responsabilidades estáveis, e os batismos também não sejam tão numerosos quanto seria desejável, consequência do inverno demográfico que continua sem sinais de inversão, certo é que as nossas igrejas são lugar de “ajuntamentos” celebrativos frequentes.

Duas observações me parecem pertinentes neste âmbito. Primeiro, estão a transferir-se para os acontecimentos da fé todos os vícios das “festas sociais”, desde as fotografias, à falta de recolhimento e silêncio, mas sobretudo às modas femininas, sem qualquer respeito pelo mínimo de recato. É mesmo despudorado, para não dizer provocante, o modo como algumas pessoas se apresentam e com a agravante de serem, as mais das vezes, intervenientes diretas nos atos litúrgicos. Será legítimo fazer vista grossa desta promiscuidade nos átrios do Senhor?

A questão de fundo é bem mais grave. É que, na maior parte dos casos, não se celebra qualquer espécie de fé. É mesmo simplesmente um ritual “religioso”, como pretexto para a festa social. A ignorância dos princípios evangélicos é crassa. Aquele que é a fonte e a meta da Fé, Jesus Cristo, é um ser vago e distante. Longe de ser uma Pessoa que se procura, que se conhece, que se ama, com consequências para a nossa vida quotidiana, é antes um ser exótico, fluido, sem qualquer reflexo na vida dos cristãos.

Uma nova evangelização se impõe de verdade. Aos que estão neste “átrio da Igreja”, para que não continuem a dar o escândalo de não saberem em Quem acreditam nem o que seja acreditar. Aos que estão no “átrio dos gentios” um primeiro anúncio se reclama, mas com a convicção de quem sabe as razões do seu crer e da sua esperança.

Bento XVI, na Carta Apostólica Porta da Fé, insiste na urgência deste reencontro com o Senhor, pela Palavra e pela vida sacramental, recorrendo a um instrumento manancial de textos da verdadeira Tradição da Igreja – o Catecismo da Igreja Católica – como forma de também acolher a riqueza do Vaticano II.

Andamos distraídos com formações e informações. Fazemos itinerários para lugar nenhum! E deixamos de trazer nas mãos e no coração, de colocar nas mãos e no coração dos crentes, estes caminhos seguros de renovação! Novo impulso, novo entusiasmo, que novas linguagens já as temos em abundância! Nova forma de relação, novos métodos de estudo – em revisão de vida! -, usando aquilo que as tecnologias nos oferecem, é o que precisamos. Desde que tenhamos entrado na única Porta da Fé, que é Jesus Cristo. E entrado para ficar!