Jogos Paralímpicos de Londres

Colaboração dos Leitores Os Jogos Paralímpicos de Londres arrancaram no dia 30 de agosto – na véspera realizou-se a cerimónia de abertura – e Portugal está representado por 30 atletas, que têm como principal objetivo dignificar a bandeira nacional.

Os Jogos Paralímpicos, destinados a atletas com diversas deficiências físicas e motoras, tiveram início em 1960, com a realização do primeiro evento do género em Roma, começando a partir de então a realizar-se a par dos Jogos Olímpicos, coincidindo quase sempre com a cidade e país organizadores e com um intervalo de pelo menos duas semanas.

Os primeiros assim propriamente ditos, com carácter organizado a nível de federações e envolvendo modalidades diversas foram realizados em Roma. Acompanham desde então o Ciclo Olímpico, tendo apenas não sido realizados em 1968 (México) e 1980 (Moscovo), por circunstâncias relacionadas com logística, boicotes políticos e ausência de intenções concretas de organização.

Desde Seul 88 (verão) e Albertville 92 (inverno), tem coincidido sempre os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos na cidade organizadora. O Comité Olímpico Internacional (COI), com sede em Lausana, Suíça, e o Comité Paraolímpico Internacional (CPI), sediado em Bona, Alemanha, decidiram que esta correspondência de cidades entre ambos os Jogos (tanto nos de verão como de inverno) se deveria manter, por uma ques-tão de facilidades e de aproveitamento de tecnologia e logística.

Actualmente, os Paralímpicos constituem um grupo de atletas pertencentes a seis diferentes categorias de incapacidades: tetra/paraplégicos, amputados, paralisia cerebral, invisuais, mental, e outras. A ênfase, hoje em dia, é dada mais às prestações e resultados obtidos pelos atletas do que propriamente à deficiência em causa, ou ao esforço de superação da mesma.

A modalidade que está mais representada em Londres é o atletismo, que conta com a presença de 15 ilustres desportistas: Firmino Baptista, Gabriel Macchi, Gabriel Potra, Hugo Cavaco, Inês Fernandes, Joaquim Machado, Jorge Pina, José Rodolfo Alves, Lenine Cunha, Maria Graça Fernandes, Nuno Alves, Nelson Gonçalves, Raquel Cerqueira, Ricardo Marques e Ricardo Vale.

No boccia, modalidade onde Portugal tem grandes tradições, a comitiva nacional está representada por Armando Costa, Abílio Valente, Cristina Gonçalves, Domingos Vieira, Fernando Ferreira, João Fernandes, José Macedo, Luís Silva e Susana Barroso.

Depois, na natação, Portugal tem mais quatro atletas, que lutarão para obter os seus melhores registos: Adriano Nascimento, David Grachat, João Martins e Simone Fragoso.

Para finalizar, as modalidades do remo e equestre também estão representadas em Londres, com Filomena Franco e Sara Duarte, respetivamente.

No geral, serão 20 as modalidades presentes em Londres: atletismo, boccia, ciclismo (estrada e pista), basquetebol em cadeira de rodas, equestre, esgrima em cadeira de rodas, futebol de cinco, futebol de sete, goalball, judo, halterofilismo, natação, remo, râguebi em cadeira de rodas, ténis em cadeira de rodas, ténis de mesa, tiro com arco, tiro, vela e voleibol.

Emoção não falta aos Jogos Paralímpicos, que só terminam dia 9 de setembro. Esta é a edição mais concorrida de sempre, com 4.200 os atletas em ação.

Os Jogos Paralímpicos de Londres marcam ainda o regresso dos atletas portadores de deficiências mentais, algo que não acontece desde Sidney’2000. Estes desportistas especiais vão competir em três modalidades: atletismo, ténis de mesa e natação.

Mas não quero terminar sem esta frase que li algures: «O sonho é o mesmo».

Maria Fernanda Barroca