Poço de Jacob – 120 É o nome de um arbusto. Aparece em 1 Reis 19,4-8. Foi a primeira leitura do domingo 19 do tempo comum, ano B, em paralelo com o Evangelho de S. João 6, com o discurso do Pão da Vida, que tanto impressionou os ouvintes de Jesus, a ponto de se escandalizarem com Ele, ou, mais recentemente, Joseph Fadelle, de quem se falou aqui em artigo anterior. Por causa do Pão da Vida, Fadelle enfrentou a família e o mundo islâmico pondo em risco a própria vida, na linha de milhares de mártires cristãos que nos primeiros quatro séculos eram mortos por causa, entre outras acusações, de comerem carne humana… “A minha carne que Eu darei para dar a Vida ao mundo…”
A leitura de 1 Reis 19 diz-nos que Elias, cansado da jornada, deitou-se debaixo do junípero e desejou morrer. Um anjo mandou-o comer pão e beber água e ele assim fez, mas voltou a deitar-se desejando a morte. Nova intervenção do anjo e um segundo pão e outra água deram força a Elias para caminhar quarenta dias e quarenta noites. Leitura interessante, que, posta em paralelo com o Pão da Vida, leva-nos à seguinte reflexão: Quantas vezes, cansados da jornada, que pode significar um tempo mais ou menos longo da nossa vida em caminhada, marcados pela perseguição, incompreensão, reveses da vida, falta de saúde, calúnias, fracassos, humilhações, indiferenças, luto, projetos frustrados, pecados, queremos desistir, jogando-nos numa existência parada, sem entusiasmo, como Elias caído debaixo do junípero! Por vezes queremos morrer, desistir do casamento, do sacerdócio, das paróquias, do emprego, do estudo, do curso, da busca de ideais… E sentimo-nos depressivos…
A nossa vida está cheia de momentos de verdadeiro desânimo, ainda que mais ou menos breves ou longos. Nem todos os dias acordamos a sorrir! Sabemos que temos pão e água, para comer e beber que bem pode ser a refeição gostosa que saboreio no meu domingo com minha família. Há pessoas que só vivem para comer. Apreciar a gastronomia é arte. Comer sem medida é falta de temperança, e o mesmo em relação à bebida. Mas mesmo com moderação, sabemos que a comida alimenta e dá energia ao corpo físico e que o anímico em nós também beneficia, pois o corpo e a alma querem-se unidos e sãos – afinal, o homem é um todo e não uma coisa parcelada. Mas, se ficamos só por aquilo que se come e se goza da vida – e hoje os homens buscam desenfreadamente isso mesmo – , então, chega a jornada dura de Elias, e o resultado é a perda do apetite. Atiramo-nos para debaixo do nosso junípero. Ali vivemos ou desvivemos numa depressão que pode levar à morte. Quantos assim há, hoje, apesar de abundância de comida e bens na sua vida! Mas o anjo da nossa guarda convida-nos a levantar, comer e beber, “outro pão e outra água”, não para uma jornada, mas para quarenta jornadas de dia e de noite…. Um longo caminho a percorrer. E vemos na Bíblia que os longos caminhos, representados no número quarenta, desembocam sempre em vitória. Assim surge a Terra Prometida, depois de quarenta anos no deserto, ou a Páscoa, depois de um quarenta chamado Quaresma…
Que pão será esse segundo pão que Elias é convidado a comer depois de se ter voltado a deitar? O Pão da Vida! Não o que se comeu como Maná. Jesus diz que quem o comeu, no deserto, morreu… Mas o Pão Vivo garante que quem O come viverá eternamente, no dia quarenta e um, que não tem fim. Bela lição a deste texto sob a intervenção do nosso anjo. “Levanta-te e come”… Ou, e Jesus o dizia a tantos: “Levanta-te e anda, pega na tua enxerga e vai”. O Pão da Vida é Deus no digerir da Sua Vontade, é Deus na força da sua palavra Bíblica, é Deus na eficácia da sua presença eucarística, que se come, que se adora, que se contempla, quando temos a sorte de O ter exposto nos nossos altares, já que ainda não chegamos a compreender que é o único meio de eficácia pastoral na Igreja.
Há momentos que bem podemos dizer: Ajuda-me Senhor, sobretudo quando eu estiver debaixo do junípero!
Vitor Espadilha
