Na Imprensa

Não há métodos científicos para determinar até que nível os diferentes estratos da sociedade conseguem suportar os sacrifícios exigidos. (…) A paz social, no entanto, para ser duradoura, exige compromissos de todas as partes. Estado e patrões têm de convencer os trabalhadores de que a bonança, quando vier, é para todos.

Paulo Baldaia

Diário de Notícias, 09-09-2012

A única questão no caso português é saber se, como antes prometido, durante a campanha eleitoral e não apenas, o equilíbrio orçamental não poderia estar a ser construído em cima de um ataque mais forte à despesa, e a uma ação (também prometida) mais rápida sobre as parcerias público-privadas, corte do número de empresas que gravitam à volta do Estado, etc., etc. – e não através deste confisco permanente, sucessivo, ao rendimento do trabalho que depois faz muita falta ao funcionamento da economia (e às receitas de outros impostos).

João Marcelino

Diário de Notícias, 08-09-2012

Seria insignificante dizer que [o Cardeal Martini] é uma memória incómoda para muitos, por razões diversas. Dizem uns que era um disfarçado de lobo na Igreja Católica, opondo-se em diversas tomadas de posição às modificações que João Paulo II e Bento XVI introduziram para corrigir os desmandos abertos pelo Vaticano II. Agora, terá de prestar contas a Deus. Para outros, foi sempre alguém que desejava reformas na Igreja, que iam além do Vaticano II, mas só as formulou, de modo frontal, quando já eram a voz de um velho aposentado e doente.

Bento Domingues

Público, 09-09-2012

Causava-lhe [ao Cardeal Martini] preocupação “a falta de coragem”. “A Igreja deve ter coragem para reformar-se”, pois ela “precisa constantemente de reformas”. “Porque eu próprio sou tímido, digo a mim mesmo na dúvida: coragem!” Atreveu-se a pôr Lutero, “o grande reformador”, como exemplo, recordando que “a Igreja católica se deixou inspirar pelas reformas de Lutero no Concílio Vaticano II”. A Igreja atual tem “medo”, mas, se Jesus voltasse, “lutaria com os atuais responsáveis da Igreja”, recordando-lhes que “não devem estar fechados em si mesmos, mas olhar para lá da própria instituição”.

Anselmo Borges

Diário de Notícias, 08-09-2012