Alegria e comoção na peregrinação das relíquias do fundador dos salesianos

Mais de três mil pessoas participaram nas celebrações, em Mogofores e Ponte de Vagos, venerando o grande educador, “mestre e pai da juventude”.

Mais de duas mil pessoas em Mogofores e largas centenas em Ponte de Vagos veneraram São João Bosco (1815-1888), na passagem das suas relíquias por estas terras com comunidades de padres, freiras e leigos salesianos, nos dias 9 e 10 de setembro.

Em Mogofores, a participação foi “muito boa, acima das expectativas”, segundo disse Dário Tavares, com o Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora sempre cheio (500 lugares sentados) nas três celebrações eucarísticas do dia 9, uma delas presidida pelo Bispo de Aveiro (ver texto ao lado).

Durante a tarde, pais e alunos do colégio salesiano representaram um musical da vida do fundador, com transmissão televisiva pela Canção Nova.

“Vivemos um acontecimento envolvente, por estarmos com a relíquia do nosso fundador. Foram momentos comoventes para alunos, cooperadores, antigos alunos. Momentos profundos”, disse Dário Tavares, diretor pedagógico do colégio salesiano.

A peregrinação da cópia da urna (a original está em Turim, Itália), que inclui a mão direita do santo, é um evento mundial que pretende preparar a celebração do bicentenário do nascimento de João Bosco, em 2015. Em Portugal, a urna passou pelas diversas comunidades de padres e freiras salesianas, com algumas exceções, como a diocese de Bragança, onde não há comunidades desta família religiosa, ou a sede da TV Canção Nova, em Fátima, por breves momentos, ao deixar a diocese de Aveiro em direção a Setúbal.

Em Ponte de Vagos, ao cair da noite de domingo, 9, as relíquias entraram acompanhadas pelo povo, a pé, pelos jovens do Movimento Juvenil Salesiano, de bicicleta, ao lado da urna, e pelos escuteiros. Após a saudação pela Ir. Matilde Cardoso, que é a superiora da comunidade das Filhas de Maria Auxiliadora, um grupo de adolescentes dançou um ballet ensaiado por uma professora cooperadora salesiana e realizou-se uma celebração da Palavra com passagens da vida de João Bosco. No adro da Igreja lançou-se meio milhar de balões em sinal de alegria.

A renovada igreja de Ponte de Vagos esteve cheia, notando-se a presença dos jovens do arciprestado e de pessoas das paróquias vizinhas, como Calvão, e até de Aveiro. “Algumas pessoas perguntaram-me quando é as relíquias voltam”, disse a Ir. Matilde Cardoso ao Correio do Vouga, como reflexo da comoção que acompanhou esta peregrinação. “Não será, com certeza, nos próximos anos ou décadas, sequer”, reconhece a religiosa.

As relíquias pernoitaram na casa das irmãs salesianas de Ponte de Vagos, de 9 para 10, e foi com grande alegria que, na presença de restos mortais do fundador, as religiosas e cooperadores celebraram a Eucaristia – último momento das 24 horas e meia desta peregrinação mundial na diocese de Aveiro. Antes a urna esteve em Cabo Verde e depois de Portugal segue para Espanha.

J.P.F.

Fundador

João Bosco nasceu em Castelnuovo d’Asti, no dia 16 de agosto de 1815, e morreu em Turim, no 31 de janeiro de 1888. Dedicou-se à educação dos jovens, primeiro nos oratórios (espaços informais de convívio, atividades formativas, oficinas, tempos livres e oração) e depois nas escolas. Fundou uma família religiosa, virada para a educação da juventude, com Salesianos (padres), Filhas de Maria Auxiliadora (freiras); ramo cofundado com Maria Mazzarello e Salesianos Cooperadores (leigos). É conhecido como Dom Bosco e foi canonizado em 1934. João Paulo II definiu-o como “pai e mestre da juventude”.

Porquê salesianos?

Os salesianos devem este nome a Francisco de Sales (1567-1622), que foi bispo de Genebra e é patrono dos jornalistas e escritores. João Bosco, vivendo durante a reunificação da Itália, época de complicadas relações Igreja–Estado, em vez de uma congregação nos moldes tradicionais quis criar uma sociedade dedicada à educação que fosse vista como associação de cidadãos aos olhos do Estado e como associação religiosa para a Igreja, a Sociedade de São Francisco de Sales. A sigla SDB, que por vezes aparece no nome dos padres salesianos quer dizer “salesianos de Dom Bosco” (do latim “Salesiani Domini Bosci”).

Na Diocese

Na Diocese de Aveiro, os salesianos estão presentes em Mogofores (padres e cooperadores), desde 1938, onde dirigem a paróquia e o colégio católico, e em Ponte de Vagos (irmãs Filhas de Maria Auxiliadora e cooperadores), desde 1989, colaborando na pastoral paroquial, no Colégio de Calvão e no Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro (ISCRA).

Excertos da homilia do Bispo de Aveiro

Dom Bosco: fé e criatividade pedagógica

Dos muitos sonhos ou premonições de que nos fala a vida de João Bosco (…), sabemos todos que era belo e grande o sonho da missão que sentiu receber de Jesus que o chamava a dar a sua vida a favor da educação da juventude, uma educação integral que valorize o humano e dignifique o espiritual em todas as suas dimensões.

Estamos aqui hoje para agradecer a S. João Bosco o dom da sua vida e do seu ministério sacerdotal e este vasto movimento de pessoas e organizações que lançou na Igreja. Sentimos essa abençoada presença na nossa Diocese em todos quantos se dedicam com renovada paixão à aventura de educar e evangelizar os jovens.

Mais do que um padre muito ativo ou de um bom gestor de atividades, S. João Bosco era um homem de uma profunda vivência de fé. É dessa vivência de fé e desse testemunho de santidade que nascem a sua criatividade pedagógica e a sua eficácia pastoral. É desse exemplo de vida e de missão que todos devemos aprender e de que o mundo mais precisa. Deixemo-nos envolver por esta mesma paixão de evangelizar e por este novo ardor de anunciar pela palavras e pela vida aos jovens de hoje a beleza da fé e a alegria de acreditar.

D. António Francisco, no dia 9 de setembro, em Mogofores