Fotorreportagem NAS MARGENS E NA RIA
Milhares de pessoas acorreram a ver a procissão marítima de Nossa Senhora dos Navegantes, nas margens da Ria de Aveiro, na Gafanha da Nazaré e em São Jacinto, entre o Porto dos Bacalhoeiros e o Forte da Barra. A procissão, com três barcos principais, onde vão as três imagens (N.ª Sr.ª dos Navegantes, N.ª Sr.ª da Boa Viagem e N.ª Sr.ª do Rosário) e cerca de uma centena de embarcações de recreio, terá tido menos participantes na Ria. “Talvez devido à crise, mas também devido à previsão de nevoeiro”, explicou o mestre Orlando, ao comandos da lancha “Espinheiro”, a nova embarcação de pilotagem do Porto de Aveiro, que se estreou a abrir a procissão. E de facto, o nevoeiro fez-se sentir à passagem por São Jacinto.
A procissão, retomada em 1999, é organizada pelo Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, tendo no dirigente Alfredo Ferreira da Silva o seu principal impulsionador, como apoio da paróquia e dos poderes autárquicos e portuários.
SAUDAÇÃO Em São Jacinto, com flores, palmas e por vezes benzendo-se, as pessoas saúdam as imagens da procissão (na foto, N.ª Sr.ª da Boa Viagem). “Falta a Banda. É a crise”, dizia uma senhora na embarcação da frente, notando a ausência de música nas margens de São Jacinto. Mas na traineira que transportava a imagem principal, a “Jesus nas Oliveiras”, a Filarmónica Gafanhense assinalava com música o momento em que as duas povoações unidas pela Ria e pela proteção de Nossa Senhora, ainda que invocada de formas diferentes, se saudavam.
SUSTO Momentos antes da atracagem, a traineira “Jesus nas Oliveiras”, com o andor principal, padres, acólitos, autoridades e muito povo, deu um “beijinho” noutra embarcação, não havendo danos pessoais nem materiais, mas provocando algum susto entre passageiros e pessoas nas margens. Na origem do incidente esteve uma terceira embarcação (aparentemente sem nada a ver com a procissão) que não respeitou as ordens da polícia marítima ao entrar pelo canal que servia, precisamente, para as embarcações saírem depois de deixarem pessoas e andores em terra.
COMO MARIA O P.e César Fernandes presidiu à Eucaristia, no largo da Capela de N.ª Sr.ª dos Navegantes. Antes do início, pediu uma grande salva de palmas para o mestre Palão (dono do barco “Jesus nas Oliveiras”) e seu filho, pelo modo como resolveram o incidente da atracagem. Na homilia, o vigário paroquial da Gafanha da Nazaré realçou que “num tempo de grande depressão coletiva, de angústia, vivemos realidade de cruz, mas a fé cria e dá sentido de otimismo”. À pergunta de Jesus –“Quem dizeis que eu sou?” – convidou a responder “com muita paixão”, “como discípulos”, seguindo o exemplo de Maria, “que nos mares gélidos da Gronelândia e da Terra Nova” sempre foi invocada como protetora.
