Queimados pelo fogo do Dragão esfomeado

Porto 4 – Beira-Mar 0 Circunstâncias:

Estádio do Dragão, sábado 22 de setembro de 2012; FC Porto 4 (Jackson Martinez 32’; Silvestre Varela 38’; James Rodríguez 47; e Maicon 72’) Beira-Mar 0; Arbitro: Manuel Mota (AF Braga); 28 609 espetadores.

Muita passividade

e pouca atitude

Em jogo disputado no último sábado no estádio do Dragão, os aveirenses averbaram mais uma derrota como visitantes e por números que não deixam margem para dúvidas. A equipa comanda por Ulisses Morais prometeu, ao longo da semana, pela voz do seu treinador, a discussão do resultado no reduto do campeão nacional. Na realidade, o que se viu foi uma equipa submissa, medrosa e presa de movimentos, que teve nos equívocos do seu treinador, na constituição do onze inicial, a cereja no topo do bolo da fraca abordagem que os homens de Aveiro fizeram a jogo como este, de grau de exigência tão elevado.

Os erros pagam-se caro

A equipa auri-negra entrou em campo com a ideia de contrariar o favoritismo dos dragões e assim tentar, quem sabe, trazer para Aveiro algo de positivo deste jogo, diga-se pontos. Mas desde cedo se percebeu que o FC Porto não estaria ali para brincar e com o passar dos minutos as oportunidades de golo iam-se acumulando e tornando cada vez mais reais e perigosas junto à baliza à guarda de Rui Rego. E como já diz o ditado, “tantas vezes o cântaro vai à fonte que um dia há de lá ficar”. Assim aconteceu nesta partida, pois à passagem da meia hora os portistas materializaram em golo as oportunidades criadas. E que grande golo de Jackson Martinez.

O mote estava lançado e o Beira-Mar, estando a ser uma presa fácil para este dragão esfomeado, não sairia para o intervalo sem sofrer mais um golo, da autoria de Silvestre Varela. A tarefa dos aveirenses, para o que ainda restava disputar deste desafio, tornava-se ainda mais difícil.

Entrar a sofrer

e sair humilhado

Depois do intervalo, os campeões nacionais voltaram com a corda toda e ampliaram a vantagem logo no reatamento da partida, por intermédio de James Rodríguez, deitando por terra qualquer tipo de esperança de um resultado positivo que os aveirenses ainda pudessem acalentar no seu íntimo. Com o resultado a assumir contornos de goleada, o Beira-Mar remeteu-se ainda mais para a sua defesa e pouco ou nada incomodou a baliza de Helton até ao final de jogo. Como seria expectável tendo em conta o desenrolar dos acontecimentos, e apesar de Ulisses Morais tentar a todo o custo incentivar os seus jogadores e colocar homens frescos no terreno de jogo, seriam mais uma vez os campeões nacionais a aumentar os números da partida, com um golo ao cair do pano, desta vez apontado por Maicon. O Beira-Mar saía assim do reduto portista vergado a uma derrota pesada que deve a todos fazer pensar. É necessário corrigir os erros graves que foram por demais evidentes nesta partida e que não devem vir a repetir-se, sob pena de assistirmos a um campeonato triste, sem brilho, com os aurinegros condenados ao fracasso.

João Paião