Jovens em missão Porque outubro é o mês das missões, iniciámos esta semana a publicação dos relatos de alguns dos 14 jovens que viveram experiências missionárias durante as férias.
Ao fim de um ano de formação de voluntariado missionário organizado pelo SDAM (Secretariado Diocesano de Animação Missionária), a organização dividiu-nos por grupos e por países, tendo eu calhado no Brasil (Manicoré, pertro de Manaus, na Amazónia) com as minhas duas companheiras, a Paula e a Margarida. E foi assim que se deu início à nossa grande aventura… Penso que a minha grande motivação para ganhar coragem e partir em missão foi a minha fé! Fé não só em Deus, mas fé de que eu em conjunto com muitos outros podemos mudar o mundo. Sempre lutei por um mundo mais justo e menos egoísta e, portanto, foi isso que me faz avançar.
Estivemos inseridas no Centro Juvenil Salesiano de Manicoré, onde estávamos com os jovens, quer a brincar, quer a ensinar-lhes um pouco do que nós sabíamos e a aprender o muito que eles tinham para nos ensinar. Visitávamos várias pessoas doentes, fomos à escola de meninos com deficiência, visitámos a prisão e demos várias palestras em áreas como educação, saúde e voluntariado. Ao fim de semana participávamos nos oratórios das comunidades, que consistiam em brincar com as crianças, dar-lhes uma merenda e fazer uma pequena oração.
Eu, como estou a fazer formação superior em Psicologia, era solicitada para falar pessoalmente com pessoas que pediam ajuda e também com jovens que atravessavam, em especial, problemas familiares.
Poderia estar aqui a enumerar uma grande quantidade de coisas que fiz, mas uma coisa que aprendi com esta experiência é que acima tínhamos de “estar” ali, não tanto fazer… Tínhamos de ouvir e falar com as pessoas, brincar, sorrir, sentar no chão, dar abraços, beijos… Portanto, acima de tudo estive com as pessoas. Sinto que o pouco que podemos fazer pode ser muito para muita gente e por isso todos os momentos valeram a pena.
Recordo com carinho os sorrisos das crianças, os abraços aconchegantes, os “obrigados” que ouvi tantas vezes, mas que no fundo sentia que eu tinha muito mais a agradecer. Sinto que regressei com o coração maior e mais rico, com mais vontade de dar um pouco de mim aos outros. A minha fé também ficou mais fortalecida, pois senti Deus de uma forma mais forte em diferentes situações durante a missão. Com esta experiência aprendi a dar mais valor àquilo que tenho, às pessoas que amo e, sobretudo, à pessoa que sou.
Sarah Reis, 22 anos, em Manicoré, Brasil
