Saúde em casa e na escola

Saúde O período de férias findou. Abriu mais um ano letivo. Começaram as aulas para crianças, adolescentes, jovens e muitos adultos. As salas das escolas e universidades encheram-se de estudantes e de educadores. O ritmo das famílias mudou. É tempo de prestar maior atenção aos alunos principiantes mais pequeninos sem nos afastarmos dos estudantes mais crescidos porque, uns e outros, necessitam de apoio, acompanhamento e de cuidados de saúde acrescidos no período de aulas, em todas as dimensões: físico, psíquico, social e espiritual.

O apoio, acompanhamento e a prestação de cuidados de saúde aos alunos é da responsabilidade de toda a sociedade e não somente da comunidade escolar. Neste texto irei desenvolver a minha reflexão em torno da promoção da qualidade de vida e cuidados de saúde primários, em contexto familiar e escolar.

Textos de José Carlos Costa

Qualidade de vida

A qualidade de vida de um estudante não difere muito de quem não estuda. Os principais indicadores que caracterizam a qualidade de vida das pessoas estudantes ou não estudantes consistem nas condições de habitação, na ocupação profissional (laboral, escolar ou académica), nos estilos de vida saudáveis (alimentação, higiene, exercício físico e período de sono), na saúde holística ou global, entre outros. O sucesso escolar está associado a todos estes fatores de promoção da qualidade de vida. Basta um destes indicadores estar ausente para o rendimento cognitivo do aluno ser afetado. O ideal é que todos os alunos e restantes membros da comunidade usufruam de uma habitação condigna, alimentação saudável e equilibrada, higiene corporal e mental perfeita, exercício físico diário e de descanso durante o sono.

Alimentação saudável

e equilibrada

É necessário garantir ao organismo os nutrientes indispensáveis para cada dia de atividade. Os alimentos não são todos iguais nem possuem os mesmos nutrientes. É conveniente variar de alimentos o mais possível e doseá-los segundo as necessidades nutricionais de cada pessoa. O número de refeições também é importante. O intervalo entre as várias refeições do dia não deve ser superior a três horas. O período dos intervalos das refeições é excelente para se ingerirem líquidos (água, chás ou sumos naturais), como forma de hidratação do organismo.

Sono natural

O tempo de sono é outro fator importante para proporcionar melhor qualidade de vida e é primordial para o sucesso escolar. Quem dorme pouco terá, com certeza, maior dificuldade na concentração, reduzido raciocínio e menor capacidade de memorização. Por regra, nenhum aluno deveria dormir menos de oito a dez horas diariamente. Deitar tarde e acordar de forma súbita e agitada não abona a favor do rendimento e sucesso escolar. O acordar deve ser natural (sem despertador) e sereno (sem violência física nem psicológica), evitando todas as situações stressantes. Ao levantar-se, se sentir cansaço e vontade de dormir é porque não dormiu o suficiente, independentemente das horas que descansou. No dia seguinte deverá corrigir o horário reservado para o sono, procurando dilatar esse período e adequá-lo às suas necessidades.

Promoção e cuidados

de saúde primários

A melhor forma de promover a saúde é prevenir a doença. Enquanto saudáveis, cumpre-nos o dever de zelar pela saúde individual e coletiva, em benefício próprio e da comunidade. Uma pessoa saudável, munida de um património imunológico forte e de um sistema emocional equilibrado, possui defesas biológicas capazes de se impor às invasões microbianas no seu organismo. A qualidade da saúde individual promove a saúde coletiva. As doenças particulares ou individuais podem afetar a saúde do coletivo das pessoas através do processo de propagação. O exercício físico diário, para além de promover a saúde, previne a doença, exercido com regra e conhecimento.

Salas de aula

Os ambientes escolares são propícios à ocorrência das disseminações de algumas doenças febris do foro respiratório, nomeadamente as gripes e amigdalites. Por isso, os frequentadores de locais fechados, densamente ocupados por pessoas com níveis de saúde diferentes e insuficientemente arejados (típico das salas de aula) deverão precaver-se e não descuidar as atenções a ter com a sua saúde. A melhor forma de prevenir o contágio é não ser contagiado. Para isso, não é necessário o afastamento ou o isolamento social. É possível a integração social minimamente segura, sem andarmos excessivamente preocupados e muito menos assustados. Porém, uma pessoa, criança ou adulta, infetada com febre deverá afastar-se para evitar o contágio aos outros membros da comunidade e procurar apoio profissional.

Saúde holística

A obtenção de um padrão de saúde integral desejável exige esforço e a implementação de algumas regras nos hábitos quotidianos. A saúde mantém uma relação muito estreita com a alimentação que praticamos e os vícios que desenvolvemos. Não é indiferente para a saúde comermos este ou aquele alimento, porque cada um tem o seu valor nutritivo que o distingue dos demais. A alimentação acertada e de maior conveniência para a saúde é aquela que é capaz de oferecer atempadamente ao organismo os nutrientes que ele carece e nas dosagens que necessita. Frequentar os locais de estudo sobre o efeito do álcool ou em dias de ressaca alcoólica é tempo perdido, do ponto de vista cognitivo, porque o cérebro será incapaz de se concentrar para rececionar informação. A melhor atitude para a saúde que o estudante deverá assumir será a abstinência total de bebidas alcoólicas.

Principais refeições

do dia

Devemos iniciar o dia com a refeição do pequeno-almoço. As crianças e demais estudantes não devem sair de casa sem tomar esta refeição. As refeições devem ser programadas, confecionadas e ingeridas sábia e calmamente. O leite, para quem o tolera, os sumos naturais, os cereais integrais, o pão escuro, a fruta, o queijo fresco, as compotas de fruta, o mel e o requeijão, são os alimentos de eleição para a refeição do pequeno-almoço. O iogurte, a fruta, o pão de mistura e o ovo escalfado fazem um excelente conjunto de alimentos de ótima escolha para as refeições intermédias (lanches da manhã e tarde). As sopas de legumes, as saladas cruas, o peixe, os ovos, as carnes brancas e magras, as massas e o arroz escuro contribuem, satisfatoriamente, para a constituição de refeições do almoço e jantar. O leite ou a bebida de soja, o chá de plantas aromáticas, o iogurte e a maçã assada poderão enriquecer a refeição da noite ou ceia, considerada a última e a mais pequena refeição do dia.

Cuidados de higiene

alimentar

Acima de tudo, cuidado com as quantidades de alimentos que se ingerem. Em média, os portugueses ingerem duas vezes mais a quantidade de alimentos que necessitam para satisfazer as necessidades básicas do organismo. Em muitas situações, o valor calórico ingerido ao longo do dia chega a ser três ou quatro vezes superior àquele que o organismo suporta. O elevado índice de obesidade e diabetes infantil confirma estes números. Por isso, é conveniente para a saúde eliminar totalmente os bolos, o leite com chocolate adicionado, sumos e refrigerantes industriais e gorduras sólidas (manteigas e margarinas). A água deve ser a bebida de eleição do estudante, docentes e comunidade em geral, incluindo os avós.