Testemunhos de jovens da Diocese de Aveiro nas Missões – 3 “Power to you” (“Poder para ti”) foi o mote de divulgação da sessão de esclarecimento sobre voluntariado missionário onde a minha aventura começou. Assumi o compromisso quando preenchi a ficha de inscrição e fiz a formação anual dos voluntários, a cargo Secretariado Diocesano de Animação Missionária. Tenho 19 anos e o facto de ser estudante de Biotecnologia na Universidade de Aveiro faz-me ter quase dois meses livres no verão. Porque não dedicá-los a Missão?
Moçambique, país para onde fui com mais uma voluntária durante o mês de agosto. Ficámos numa casa de irmãs da Congregação Palotina, que tinham a seu cargo uma escolinha primária e um internato para raparigas mais velhas.
“O que fizeram?” é a questão que todos por cá me colocam. Não só colaborámos no reforço escolar das internas e dinamizámos atividades para os mais pequenos, como também pintámos o muro da escolinha, visitámos famílias das comunidades, monitorizámos o projeto de apadrinhamento “One Child” da Orbis e comprámos artigos destinados ao comércio solidário.
A experiência é enriquecedora não pela quantidade de trabalho que fizemos – uma ideia adjacente a nós – mas pela nossa presença. O acolhimento é muito quente e sentimos o gosto das pessoas pela nossa visita. O que trazemos é uma maior consciência da realidade, identificámos as verdadeiras necessidades e voltamos com o testemunho, ferramenta essencial para contagiar as pessoas que nos rodeiam com a necessidade de agir.
A nossa realidade aqui é supérflua. É o que podemos afirmar quando as coisas surpreendentes para as pessoas que lá conhecemos são bolas de sabão e o comprimento do nosso cabelo; quando um pai não tem certeza das crianças que são ou não seus filhos; quando não podemos fazer mais nada pela fraca Ralina de 12 anos senão levá-la ao centro de saúde para confirmar que tem SIDA. Vivem pela subsistência diária e as mentalidades são tradicionais.
A Missão começa agora e há que envolver a comunidade no nosso compromisso. Mudar o mundo. A mudança começa em nós mesmos.
Viviane, 19 anos, voluntária em Moçambique
