Questões Sociais O «Correio do Vouga» publicou, em 19 de setembro, uma Nota do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CP/CEP) sobre o atual «momento socioeconómico». A Nota desdobra-se em quatro pontos: o primeiro, introdutório, salienta que «a Igreja é sensível ao sofrimento de todos…». O segundo respeita à missão da Igreja na «procura do bem comum de toda a sociedade»; no terceiro, a CEP sugere cinco «atitudes que exprimam valores»; a quarta centra-se em «alguns elementos decisivos do mundo económico-financeiro em que estamos inseridos»; e, no final da nota, afirma-se que «a superação da crise supõe uma renovação cultural». O presente artigo respeita, especialmente, à «estabilidade política» incluída entre as atitudes-valores enunciados no ponto 3; e o próximo terá como objeto a «renovação cultural», incluída no 4.
A propósito da «estabilidade política», o CP/CEP afirma que: ela «é exigida pela própria natureza da democracia…»; «numa democracia adulta, as «crises políticas» deverão ser sempre excepção»; e, hoje, «não existem muitos caminhos de solução». A estabilidade é uma exigência da democracia porque, sem ela, não existem condições para a prossecução do bem comum. Acresce que o povo, ao escolher determindos partidos para governarem durante um determinhado período, tem direito a que, em princípio, esse período seja respeitado. As próprias oposições também lucram com a estabilidade; dispõem de mais tempo para se prepararem para as eleições seguintes e para governarem, se forem eleitas. Note-se que, na secular história da nossa instabilidade política, as oposições não se têm caracterizado por esta preparação; em vez disso, têm-se esgotado na contestação sistemática. Daí tem resultado que, chegadas ao governo, quando eleitas, acabam muitas vezes por fazer aquilo mesmo que tinham contestado, não honrando os seus compromissos eleitorais. Os últimos governos são um exemplo flagrante desta incongruência.
