Fotorreportagem A safra do sal, iniciada em março, chegou ao fim. Com as primeiras chuvas de outono, é tempos de cobrir os montes de sal, antes de ensacar tudo em sacos de 25 quilos. A marinha P.J., explorada por Manuel Banca, produziu este ano cerca de 240 toneladas de sal, que agora há de ser vendido a quem oferecer mais. “Já passaram por cá quatro ou cinco compradores, mas por enquanto não há nada de concreto”, diz.
Natural da Gafanha da Nazaré, Manuel Banca regressou às salinas depois de ter andado embarcado e de ter sido camionista. Já na juventude tinha andado nas lides do sal. Agora, acompanha-o o seu filho, que trabalhou numa empresa de torres eólicas até ser dispensado devido à crise. A salina é arrendada. “Tudo o que produzo é para mim”, mas tenho de pagar dez por cento ao dono da salina. Às vezes até nem pago, quando tenho de fazer investimentos maiores”.
O marnoto lamenta que cada vez sejam menos os que exploram o sal. “Se tivéssemos mais apoio, podíamos ser mais e o país escusava de importar tanto, que esse sal importado até faz mal ao estômago”. O futuro? “Somos poucos e de vez em quando ouve-se que este ou aquele vai deixar de produzir sal”. “Morrem os velhos e vai tudo atrás”.
Em anos de muito sal – e a época que agora termina não foi má –, o preço tende a baixar. Entretanto, vai-se vendendo um ou outro saco de sal a turistas, que querem principalmente a flor de sal, ou a clientes da região, alguns já compradores habituais. 25 quilos custam cinco euros, o mesmo que pode custar um quilo de flor de sal (ou coalho), que é constituído pelos cristais que se formam à superfície da água. Cada vez há mais apreciadores da flor de sal por motivos gastronómicos.
Quem passa por Aveiro ainda vê alguns montes de sal no horizonte. Não devem chegar às duas dezenas. Diz-se que em séculos passados eram quinhentas as salinas. E há meio século, quase trezentas. Agora são seis a produzir sal e as outras todas a degradarem-se. Se não há um marnoto por perto, as motas (muros das marinhas) vão-se desfazendo naturalmente e a água entra e sai quando quer, acelerando a destruição do que mãos humanas ergueram e cuidaram ao longo de séculos.
