O Papa explicou solenidade anual do 1 de novembro, perante milhares de pessoas, e convidou a uma “fé plena de esperança”.
Bento XVI afirmou que o mundo atual “precisa de santos” e explicou o sentido da solenidade litúrgica dedicada a todas estas figuras, “conhecidas e desconhecidas”, na Igreja Católica.
“O nosso tempo precisa de santos e os santos mostram-nos, de muitas maneiras, como podemos viver o Evangelho hoje e como podemos ser sinais luminosos do amor de Deus”, disse o Papa, em alemão, perante milhares de pessoas reunidas para a oração do Angelus na Praça de São Pedro, no dia 1 de novembro.
Na celebração anual de Todos os Santos, feriado nacional em Portugal pela última vez, já que está suspenso pelo menos nos próximos cinco anos, Bento XVI precisou que a data faz “memória” não só dos fiéis que a Igreja canonizou “mas também de todos os santos e santas que só Deus conhece”.
O Papa sublinhou que a solenidade [categoria mais importante das celebrações do calendário católico] recorda “a vitória do amor sobre o egoísmo e sobre a morte”. “Seguir Cristo leva à vida, à vida eterna, e dá sentido ao presente, a cada momento que passa, porque o preenche de amor, de esperança: só a fé na vida eterna nos faz amar verdadeiramente a história e o presente”, acrescentou.
Falando num “duplo horizonte da humanidade”, entre a terra e o céu, Bento XVI defendeu que a união a Cristo, na Igreja, “não anula a personalidade, mas abre-a, transforma-a com a força do amor e confere-lhe, já nesta terra, uma dimensão eterna”.
“Na festa de hoje [1 de novembro] podemos saborear antecipadamente a beleza desta vida de total abertura ao olhar de amor de Deus e dos irmãos”, complementou. O Papa despediu-se com uma referência à comemoração dos fiéis defuntos, convidando os presentes a uma “fé plena de esperança”.
Ag. Ecclesia / CV
Papa rezou pelos antecessores e cardeais falecidos
no último ano
No dia dos Fiéis Defuntos, 2 de novembro, Bento XVI deslocou-se às Grutas do Vaticano para um momento privado de oração pelos Papas que já morreram. No sábado, 3 de novembro, rezou pelos 10 cardeais falecidos desde dezembro de 2011.
Na homilia da celebração, na Basílica de São Pedro, Bento XVI afirmou que a “comunhão” com os antepassados supera os limites da própria morte e que isso pode ser sentido, entre outras ocasiões, nas visitas aos cemitérios.
“Os lugares da sepultura constituem como uma espécie de assembleia, na qual os vivos se encontram com os defuntos e com eles restabelecem os vínculos de uma comunhão que a morte não pôde interromper”, disse. “É como se os túmulos nos interpelassem, convidando-nos a restabelecer com os defuntos um diálogo que a morte pôs em crise”, acrescentou.
O Papa apresentou uma reflexão sobre a vida além da morte, na fé católica, frisando que esta “não é um desdobramento interminável do tempo presente, mas algo de completamente novo”.
