Caminhos de solução?

Questões Sociais O Conselho Permanente da Conferência Episcopal, numa Nota já aqui abordada, afirma que «não existem muitos caminhos de solução» para as «dificuldades presentes» (cf. o CV de 19 de setembro e os últimos artigos desta secção). Mas perguntar-se-á: existe realmente algum caminho? – É, no mínimo discutível que exista: o nosso endividamento obriga-nos à austeridade; a austeridade impede o crescimento económico e do emprego; e daqui resulta o empobrecimento generalizado, que suscita revolta em quase todos os quadrantes político-sociais. Deste modo aproximamo-nos, a passos largos, de um abismo profundo; e, em vez de nos unirmos para não cairmos, intensificamos a conflituosidade suicida que nos pressiona para a queda. Como se isto não bastasse, perdemos competitividade no vasto processo de globalização; mesmo os nossos credores mais prósperos temem pelo seu futuro; e, para cúmulo, o envelhecimento da população traz consigo um aumento incontrolável da despesa com a proteção social, aliado à diminuição da receita.

Infelizmente, as supostas alternativas à austeridade não a evitam e até a podem agravar: elas defendem, conforme os casos, a denúncia do acordo com a «Troika», a renegociação da dívida, a diminuição dos respetivos juros, a corresponsabilidade financeira da União Europeia… Todas estas hipóteses, e outras semelhantes, dependem de centros de decisão comunitários ou de outras instâncias, condicionados pela vontade dos respetivos povos e pela morosidade dos processos de decisão. A demora e a incerteza trazem consigo três riscos tremendos para o nosso povo; o risco de falta de financiamento público para serviços e prestações essenciais, enquanto decorrerem os processos de decisão; o de não se conseguirem os resultados necessários; e o de, mais tarde, recair sobre o povo uma austeridade muito mais pesada. Hoje não se vê nenhuma luz ao fundo do túnel; mais tarde, a escuridão poderá ser completa. Mas não haverá, mesmo, nenhuma saída? – É o que será abordado no próximo artigo.