Apesar das dificuldades do presente, não há comparação possível com as das gerações anteriores. O futuro faz-se com talento, trabalho e valores éticos.
Portugal tem futuro e este passa também pela missão de todos os líderes empresariais, cristãos ou não, – “para uns e outros os desafios são os mesmos” – é a conclusão optimista que saiu de uma reflexão, conduzida por António Pinto Leite, presidente de ACEGE, na última sexta-feira, dia 25, no auditório do Espaço Inovação, Vila Verde.
Este evento, que teve o apoio da ACIB, integrou-se no programa da visita pastoral que D. António Francisco está a fazer ao arciprestado de Oliveira do Bairro. Outras duas ideias fortes: a nossa democracia tem de ter mais desempenho social e é absolutamente necessária “a reforma social do Estado”.
A preocupação
dos valores éticos
Abriu a sessão a presidente da ACIB, Emília Abrantes, que deu o mote: “Portugal tem futuro? Acho que sim. Temos de construir algo, com alicerces seguros, pensar no dia de amanhã, com a preocupação dos valores éticos”, “apelar à dedicação pelos outros”.
No uso da palavra, António Pinto Leite, colaborador do “Expresso”, advogado de topo, começou por explicar a mais de meia centena de empresários, e não só, o que é a ACEGE (Associação Cristã de Empresários e Gestores), com uma missão: ser sinal e testemunho de coisas boas para os outros e ter como ponto central “a centralidade do eterno”.
Uma outra preocupação e função é incluir os valores cristãos na actividade empresarial, reforçar o carácter do empresário, neste tempo que estamos a viver “no limite dos rácios”. Até agora, tiveram a tentação das grandes empresas, mas estão a mudar de estratégia: trabalhar no meio das pequenas empresas regionais, procurando incutir “um código de éticas, um portal de valores” .
“País manhoso,
de más condutas”
Posto isto, enveredou por fazer reflectir sobre o futuro de Portugal, de uma forma positiva, e traçou alguns princípios para que tal aconteça. Para Pinto Leite e associados da ACEGE “é absolutamente proibido fazer essa pergunta.” Fazê-lo “é uma desconsideração para os nossos pais e avós que passaram pior do que nós”. Será, portanto, imperioso “eliminar esse diletantismo, essa fragilidade, isso não tem nenhuma comparação”. Será melhor caminho “pegar no que temos e somos e dar-lhe a volta”. Efectivamente há no país uma crise de confiança, mas se os líderes não a têm, quem a há-de ter? Questionou. Estes têm de ter uma função crítica,” uma missão de carácter e de confiança”, que é absolutamente indispensável.
Alertou ainda para um facto: a igreja, pelo peso que tem na sociedade portuguesa, tem de ter compreensão para o nível de dificuldades com que se debatem os empresários. Ninguém deve perguntar quanto ganham, mas devem perguntar quanto pagam de impostos… Manter as empresas vivas com os seus postos de trabalho “é um tributo extraordinário”. É um modo de fazer render o talento, dentro de uma matriz cristã, ao mesmo tempo que é necessário, sempre que possível, numa atitude de partilha, “esquecer o salário mínimo”, fazendo “um exercício imperativo de solidariedade”, colocando-se cada um no lugar do outro que trabalha ou é despedido – devemos sempre “colocarmo-nos na sua posição”.
Esta norma também serve para acabar com a chaga de ninguém pagar a horas, neste “país manhoso de más condutas, de más práticas” e pensar que, por estas práticas, “há sofrimento do outro lado da rua”. É urgente ver se queremos o céu ou o inferno para os outros…
Encerrou D. António Francisco que se referiu à capacidade de trabalho das gentes de Aveiro, a sua capacidade de empreen-dedorismo, “uma realidade que temos de conhecer melhor, para melhor podermos contribuir”.
Armor Pires Mota
