Violência não tem justificação, diz Bento XVI no Ano Novo

Papa apela à defesa do ambiente, ao desarmamento e ao diálogo entre culturas. A humanidade está chamada a ser “uma família de famílias e de povos”

Bento XVI pediu o fim da violência em todo o mundo, assinalando o primeiro dia de 2010 com uma mensagem em favor da defesa do ambiente e do diálogo entre culturas.

“Os rostos dos pequenos inocentes são um apelo silencioso à nossa responsabilidade: perante a sua condição indefesa, caem todas as falsas justificações da guerra e da violência. Devemos simplesmente converter-nos a projectos de paz, depor as armas de todo e qualquer tipo e empenhar-nos em construir juntos um mundo mais digno do homem”, disse, na Basílica de São Pedro.

Na celebração do Dia Mundial da Paz 2010, o Papa lembrou que a humanidade está chamada ser “uma família de famílias e de povos”, dando a este respeito o exemplo das “turmas escolares compostas por crianças de várias nacionalidades”.

“Os rostos das crianças são como que um reflexo da visão de Deus sobre o mundo. Para quê, então, extinguir os seus sorrisos? Para quê, envenenar os seus corações?”, interrogou-se Bento XVI, que evocou as “dolorosas imagens de tantas crianças com as suas mães mergulhadas em situações de guerra e de violências: deslocados, refugiados, migrantes forçados. Rostos marcados pela fome e pelas doenças, rostos desfigurados pelo sofrimento e pelo desespero”.

Na homilia da Missa de 1 de Janeiro, no Vaticano, Bento XVI referiu-se ao tema desta Jornada Mundial da paz – “Se queres cultivar a paz, defende a criação” -, afirmando que “o homem só será capaz de respeitar as criaturas na medida em que tiver no seu espírito um pleno sentido da vida”.

“Os deveres para com o ambiente derivam dos deveres para com a pessoa considerada em si mesma e em relação aos outros”, indicou, acrescentando que “quando se respeita na sociedade a ecologia humana, disso beneficia também a ecologia ambiental”.

“Renovo portanto o meu apelo a investir na educação, propondo-se como objectivo, para além da necessária transmissão de noções técnico-científicas, uma responsabilidade ecológica mais ampla e aprofundada, baseada no respeito pelo homem e pelos seus direitos e deveres fundamentais. Só assim o empenho pelo ambiente se pode tornar verdadeiramente educação para a paz e construção da paz”, assinalou.

A homilia do Papa centrou-se “sobre o mistério do rosto de Deus e do homem” como “uma via privilegiada que conduz à paz”. “Esta começa, de facto, de um olhar respeitoso, que reconhece no rosto do outro uma pessoa, qualquer que seja a cor da sua pele, a sua nacionalidade, a sua língua, a sua religião”, observou.

“Só se tivermos Deus no coração é que estamos em condições de captar no rosto do outro um irmão em humanidade, não um meio mas um fim, não um rival ou um inimigo, mas um outro eu, um aspecto do infinito mistério do ser humano”, precisou.

Mais tarde, na recitação do Angelus, dirigindo-se a “todos os povos e nações de língua portuguesa”, afirmou: “Aos seus lares e comunidades, aos seus governantes e instituições, desejo a paz do Céu, que hoje vemos reclinada nos braços da Virgem Mãe. Feliz Ano Novo!”