Papa teme que a saúde se torn uma “mercadoria”

Bento XVI deixou alertas perante centenas de participantes em encontro mundial de responsáveis católicos.

Bento XVI alertou para os riscos de a saúde se tornar numa “mercadoria”, limitando o acesso aos serviços sanitários por causa da crise económica que “retira recursos” a este setor.

“Hospitais e estruturas de assistência devem repensar o seu próprio papel para evitar que a saúde, para além de ser um bem universal a assegurar e defender, se torne uma simples ‘mercadoria’ sujeita a leis do mercado e, portanto, um bem reservado a poucos”, disse o Papa perante de centenas de participantes ao encerrar a 27.ª conferência internacional do Conselho Pontifício da Pastoral da Saúde (Vaticano), que decorreu de quinta-feira a sábado da semana passada.

O discurso papal aludiu à necessidade de uma “atenção particular” que é devida à dignidade das pessoas que sofrem, “aplicando também no âmbito das políticas de saúde o princípio de subsidiariedade e o de solidariedade”.

No sábado, Bento XVI sublinhou que aumentaram as capacidades no campo técnico-científico, mas estão em quebra as capacidades de “cuidar”. “Parecem ofuscar-se os horizontes éticos da ciência médica, que se arrisca a esquecer que a sua vocação é servir cada homem e todos os homens, nas diversas fases da sua existência”, acrescentou.

O Papa apelou ainda aos participantes para que promovam a ‘ciência cristã do sofrimento’, na qual se incluem “a compaixão, a solidariedade, a partilha, a abnegação, a gratuidade, o dom de si”.

A conferência ‘Hospital como lugar de evangelização’ reuniu no Vaticano 600 pessoas de mais de 60 países, incluindo Portugal.

Segundo o jornal do Vaticano, existem 120 mil estruturas de saúde católicas, que oferecem 17% das camas disponíveis para os doentes de todo o mundo.

No programa incluiu-se uma intervenção de Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, sobre o tema ‘A missão das Misericórdias pelos sofredores”.

Ag. Ecclesia

Responsáveis da Igreja Católica de 60 países conheceram história e ação das Misericórdias portuguesas

O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) apresentou sexta-feira, no Vaticano, a história e a implementação daquelas instituições a 600 responsáveis de serviços de saúde católicos de mais de 60 países. Manuel de Lemos “recordou os cinco séculos de experiência das Misericórdias no setor da Saúde e a expansão da obra social por estas desenvolvidas um pouco por todo o mundo”. O responsável explicou o papel das Santas Casas da Misericórdia em Portugal no setor da Saúde, especialmente junto das pessoas mais desfavorecidas, e descreveu a sua ação nos cuidados continuados e paliativos de saúde.

A gestão hospitalar das Misericórdias estende-se a 19 unidades, aguardando-se para breve a devolução de mais 15 a 30, depois de o Estado ter nacionalizado aquelas instituições, na sequência da revolução de 25 de Abril de 1974, referiu.

O responsável salientou que desde 2006, quando o Governo chamou as Misericórdias para que participassem na criação de uma Rede Nacional de Cuidados Continuados, foram construídas e equipadas cerca de 120 unidades, num total de quatro mil camas, mais de metade da atual rede.

“Cuidar bem, com qualidade e competência, fazer o carinho a uma criança ou a um idoso, ter tempo para ouvir uma recordação, segurar a mão de um moribundo, é algo que as Misericórdias fazem naturalmente e como ninguém”, assinalou o presidente da UMP na intervenção intitulada “A Missão das Misericórdias junto dos que sofrem”.