Fracassos partilhados

Questões Sociais Alguns atores político-sociais protagonizam graves fracasssos, que partilham entre si, mesmo que se distribuam por quadrantes opostos. Realçam-se três conjuntos de atores: os governos, os partidos políticos e as «figuras notáveis». O governo anterior e o atual mergulharam numa missão impossível: apesar de todos os esforços e qualificações técnico-científicas, falham as previsões financeiras, sucedem-se os alçapões e outras contrariedades e não se vislumbra nenhuma «luz ao fundo do túnel».

Os partidos políticos e as «figuras notáveis» preservam rigidamente a sua matriz de contestação sistemática, não apresentam alternativas ou apresentam, como tais, meras hipóteses irrealistas que dependem de decisões de outrem, nomeadamente da União Europeia. Esquecem que a alteração de procedimentos comunitários – que provavelmente acontecerá, mais tarde – depende da vontade de 27 países e que, em todos eles, vigoram regimes democráticos, sem unanimismos, e se verificam dificuldades económico-financeiras; daí resulta que a alteração das regras vigentes não se pode verificar ao ritmo correspondente às nossas aflições. Esquecem também que a renegociação da dívida e outras linhas de ação, insistemente reclamadas, estão na agenda governamental, embora com a discrição exigida pela delicadeza das matérias em causa.

O caminho para a saída da crise poderia aplanar-se decisivamente, se todas as forças tomassem consciência de que «estão no mesmo barco», e procurassem os entendimentos possíveis. Mais se lucraria se, de maneira concertada, cada uma atuasse, a favor de Portugal, nas suas «famílias políticas» europeias e noutros centros de decisão ou de influência. Nada impediria que tais forças continuassem a exibir suas lutas; o que se lhes pede é tão só que, de maneira mediatizada ou não, partilhem suas preocupações e esforços. Aliás, é possível que esta partilha já esteja a decorrer, longe dos holofotes mediáticos.