O carteiro toca duas vezes e conversa sobre o “Correio do Vouga” de 30 de janeiro

O nosso Jornal É – a gente impressiona-se mais quando morre alguém, mas também nos sentimos morrer ao ver tanta coisa a correr mal, destruindo o pouco que nos parecia seguro. Não há nada, então, como sentir afecto à nossa volta, a dar-nos o sabor da esperança (5). O pior é que não sofremos só com os caprichos do tempo! (13). Há leis e ordens que mais parecem vendavais que nos viram a vida do avesso (24). Precisamos mesmo de saber olhar para os vários aspectos das coisas, sem ficarmos ceguinhos de encantamento a favor ou contra. Pois, diz bem: vivemos pendurados do que dizem ou fazem certos «heróis», mesmo se mandam bocas sobre assuntos de que nada percebem… Remédios? Um deles é saber ouvir e contrapor ideias, e que cada qual seja capaz de corrigir o seu modo de ver – sem medo de dizer, doa a quem doer, o que é que está mal e o que é que está bem! (Às vezes só dizê-lo já nos dói e pode-nos custar o pêlo…). Como diz: é viver a sério o que se chama «cidadania» (14) – mas Deus nos livre do «funcionamento democrático» do Parlamento! Má educação, língua duplamente afiada, falta de cultura geral e falta de coragem para ao menos «parecerem» honestos… Não é boa receita, não.

E depois, e depois… temos que entrar em acção: mostrando publicamente o que é bom ou mau (não à moda do Parlamento ou dos comícios em que se grita sem pensar e se destrói para variar) e apontando para o que pensámos a sério ser a melhor direcção.

«A falar é que a gente se entende», está bem de ver. É assim que nos enriquecemos com as diferenças, ao descobrirmos o seu valor (2). Não seria triste uma «casa comum», sem jardins variados nem diferentes salas com arranjos de bom gosto? (3).

E já falámos a sério sobre a tempestade recente? De como nos preparamos para tempos difíceis? De como organizamos a nossa Terra, as nossas casas, as nossas praias, florestas e jardins…? Ao menos não sejamos nós a matar as árvores que protegem o nosso ambiente – a qualidade do solo, o carinho da sombra, os sabores do namoro, os ninhos de vida na ponta dos ramos… Isto de abrir praças de cimento onde havia jardins arborizados, não acha que devia ser discutido com boas razões e posição firme pelo que deve ser? Olhe que é exemplo de discussão difícil, em que se misturam as razões da ciência e da técnica com a dos sentimentos e poesia… (23). E com esta me vou!

M.A.V., o Carteiro (que não distribui o acordo ortográfico).