Na Imprensa

(…) Num país onde quase uma em cada dez pessoas vive sozinha, onde haverá quase meio milhão de idosos sem outra companhia que a das paredes, morrer em casa, sem ajuda, sem alarme, não surpreende. E assim ficar por nove anos? Acontece. Tinha de acontecer. Porque não há maior solidão do que a de viver de portas trancadas no meio dessas colmeias suburbanas. Porque estão todos apressados (para ver a telenovela) ou todos estão desinteressados (para não terem de abrir um auto lá na esquadra). Só o fisco não dorme.

José Manuel Fernandes

Público, 11-02-2011

Esta crise fez emergir a Alemanha como a grande potência da Europa, muito menos disposta a aceitar constrangimentos à sua liderança. (…) Portugal não tem nada perder. A Europa, mesmo que mais exigente, menos generosa e mais alemã, continua a ser o quadro mais favorável para recuperar o seu atraso e a sua marginalização e encontrar um caminho razoável para as gerações futuras. As escolhas fazem-se perante as alternativas e não perante as tiradas grandiloquentes sobre “soberania nacional” ou “germanização”.

Teresa de Sousa

Público, 09-02-2011

A Justiça em Portugal (…) é como as estantes do Ikea. Se não seguirmos as instruções à risca e nos enganarmos a montar, aquilo nunca mais vai ao sítio.

Pedro Sousa Carvalho

Diário Económico, 10-02-2011

As nossas democracias, tão incensadas nas virtualidades essenciais, têm cada vez mais tendência para se esvaziar de sentido, transformando-se em «democracia de superfície”.

Baptista-Bastos

Diário de Notícias, 09-02-2011

A questão está em que o País, neste momento, deveria pedir à política que impusesse um intervalo nas ambições dos seus protagonistas. Mas, pelos vistos, o mundo do trabalho, dos projectos, das empresas, das pessoas que precisam de uma vida melhor, vai ter de passar sem o interregno que merecia.

João Marcelino

Diário de Notícias, 12-02-2011