Lurdes, escola de amor cristão

Poço de Jacob – 69 Escondida nos Pirenéus franceses, Lurdes era conhecida como cidade boa para a prática de desportos de Inverno, já no séc. XIX. O povo que ali vivia era como qualquer outro povo do mundo, com suas histórias de alegria e dor, prosperidade e miséria, murmurações e actos de fé e de caridade.

Deus, ao olhar para a terra, quis confirmar, com a Sua própria Mãe, o dogma que abria as portas para a obra da Redenção: A Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, dogma proclamado em 1854… e preparado pela fé popular de centenas de anos e as aparições de 1830, na Rue du Bac, em Paris. Diz Bernadete, como dizem todos os videntes credíveis, que, quando Deus olhou para a terra, não encontrou pessoa mais miserável do que Bernadete Soubirous, que vivia, aos 13 anos, doente de asma e com poucas faculdades de inteligência, com sua numerosa família, num cubículo, que fora uma antiga prisão, visto ter falido o negócio e o pai de Bernadete estar preso por acusação, injusta, de roubo. A miséria era imensa naquela família mal vista na sua pobreza e infortúnio.

Foi numa manhã fria, a 11 de Fevereiro de 1858, que a Mãe de Deus, Imaculada Conceição, desceu à Terra, num buraco de uma gruta que era conhecida como refúgio de pecados dos homens e mulheres que, naquele tempo, ali se escondiam para sexo. Maria, a puríssima Mãe de Deus e Virgem das Virgens, veio converter uma gruta amplamente suja em lugar de bênçãos e graças e escolheu a pobre Bernadete para ser sua aliada, apesar de, mais de uma vez, ter sido desacreditada por todos e ridicularizada. Maria tinha-lhe dito: “Não te prometo fazer feliz na Terra, só no céu”. É assim que Deus actua com os seus amigos. Em Fátima, mais tarde, também disse aos Pastorinhos que teriam muito que sofrer, mas a graça de Deus seria o seu conforto.

Com S. Paulo aprendemos que “tudo é graça…”; “basta a minha graça”; ou “é na miséria que Deus manifesta a sua força”.

Foi assim que começaram as 18 aparições de Maria, em Lurdes, onde Ela mostra a alma do Rosário, que são os mistérios da vida de Cristo, meditados, considerados, contemplados e rezados. As primeiras três aparições são para dar a entender como devemos, em atitudes internas e externas, colocar-nos na presença de Deus para rezar. As restantes 15 são uma mímica magnífica em que todos os intervenientes de cada aparição representam cada um dos 15 mistérios do Rosário, a alma do Rosário. Dizia alguém que terço sem mistérios é como um corpo sem alma. É a grande “Escola de Maria”, como disse João Paulo II no Ano do Rosário. Por isso, Lurdes é considerada “o palácio do Rosário”, daquela que, um dia, em Fátima, na imagem da Senhora do Rosário, sorriu à Lúcia, no dia da sua primeira Comunhão. Em Fátima, Maria ensinou Jacinta a rezar os mistérios. E no dia 13 de Outubro intitulou-se “Senhora do Rosário”.

Não se pode pensar em Lourdes sem nos comprometermos a rezar o Rosário para toda a vida, também obedecendo ao pedido da Senhora em Fátima para o rezarmos todos os dias. Por isso, Lurdes brilha como o primeiro grande monumento que, na linha de S. Domingos, apresenta o Rosário como a arma mais eficaz para derrotar o grande inimigo da Igreja, que é a ignorância do nosso povo baptizado no que se refere aos mistérios de Cristo. O Rosário ensina-nos estes mistérios, suave e permanentemente, na cadência das Avé-Marias.

P.e Vitor Espadilha