Democratizar a economia (2) – Acções de base

Questões Sociais A democratização da economia começa na base pessoal-familiar, sobretudo em três dimensões: Consciência dos problemas; procura de soluções; e influência, junto de entidades autárquicas ou outras, a favor do interesse próprio e do bem comum. A família não é, fundamentallmente, um espaço de interesse próprio, mais ou menos egoísta e fechado; pelo contrário, nela acontece a partilha de pessoas e bens, em alto grau. Acontece, em especial, no regime de comunhão de bens, e quando a família participa na convivência e na entreajuda mais alargadas. Dir-se-á que esta partilha e entreajuda brotam da natureza das coisas, mesmo sem serem verbalizadas.

Para que a partilha e a entreajuda se desenvolvam saudavelmente, parece recomendável que toda a família, tanto quanto possível: participe na consciência e solução de problemas, incluindo os do respectivo orçamento; se integre em relações de ajuda mútua (abrangendo a família mais alargada, vizinhos, amigos/as de trabalho, de escola, de associativismo, de convivência em geral…); e se integre em processos de desenvolvimento, a partir do espaço local.

A integração pessoal-familiar, no desenvolvimento local, não implica, necessariamente, a existência de projectos de desenvolvimento mais ou menos dispendiosos; basta a congregação de esforços fundada no voluntariado de proximidade. E esta congregação, tal como a família, poderá limitar-se à consciência dos problemas, à procura de soluções e à influência junto de entidades diversas, públicas ou privadas. As acções pró-desenvolvimento local serão tanto mais válidas quanto mais entidades nelas participarem e quanto mais respeitados forem os diferentes pontos de vista, sem prejuízo da tomada de decisões em momento oportuno; entre as entidades que importa não esquecer contam-se a paróquia, o/s grupo/s de voluntariado social de proximidade, empresas e unidades de produção menos formais, escolas, instituições sociais, colectividades de cultura, recreio e desporto, entidades públicas, autárquicas ou não…. Parece recomendável que a iniciativa do processo de desenvolvimento local seja coordenado pela junta ou pela assembleia de freguesia; mas quando, por qualquer motivo, estas entidades não se disponham a isso, nada obsta a que avancem outras, incluindo a paróquia, salvaguardando sempre a via democrática. Em qualquer caso, importa que o processo de desenvolvimento local procure sempre o ajustamento entre necessidades e potencialidades, mesmo recorrendo a soluções provisórias.