Poema Terra em marcha
Não são apenas as minhas palavras, mas eu quem esperas.
Sou eu, a tua palavra, quem te transmite;
Antes de falar, eu era dito.
Inunda com a tua sombra os meus vales
Como fazes às minhas alturas:
A nuvem treme nas suas franjas.
Onde está o teu juramento? Onde estão os teus anjos?
Descobre a sarça-ardente
Sob as camadas do tempo passado.
Para este século, mostra-me um sinal
Que o impeça de traduzir tudo
Numa linguagem desvalorizada!
Puxas-me para a íntima sombra…
Eu poderia falar melhor sem Ti!
Concede-me que fale contigo.
Bênção do Senhor como noite!
Bênção do Senhor como céu!
Terra em marcha no seu céu de noite.
A nuvem desce e me abafa,
Toma-me e aspiro-a,
Ocupa-me e sopro-a.
Bênção do Senhor como vida!
Minhas pálpebras fecham-se, reabrem-se,
A nuvem move-se, enfraquece…
E bruscamente é o mar Vermelho,
Escancarado diante de mim.
Desde há muito atrás deles.
Patrice De La Tour Du Pin (1911-1975)
