O carteiro toca duas vezes e conversa sobre o «Correio do Vouga» de 23 de Janeiro

O nosso jornal Já foi ver os santinhos todos em grande conversa no museu de Santa Joana? Pois, eles são suficientemente espertos para se calarem quando a gente entra. E aí, ficam eles a ouvir-nos tranquilamente e com a maior atenção. Parecem não dizer nada, não é? Mas há-de reparar na postura de cada qual, na maneira de vestir, na expressão do rosto e das mãos… tudo reflecte a vida material e espiritual do artista que lhes compôs a imagem e o ambiente cultural de há séculos atrás até aos nossos tempos. E assim nos levam a contar as nossas histórias e comentários. Depois de toda a gente sair… quem sabe? Ficarão a conversar sobre os nossos problemas e de como nos hão-de inspirar as soluções adequadas… (3).

Sabia que alguns desses foram postos «atrás das grades»? Sim, não roubavam nem matavam, mas tinham umas ideias e comportamentos «esquisitos» considerados perigosos para a ordem pública… Na realidade, defendiam razões mais fundas para viver e um modelo mais justo de sociedade. É claro que ao lado deles havia muitos verdadeiros criminosos – a quem puderam ajudar a reconstruir a vida. Não acha que até é do nosso interesse analisar o que leva tanta gente ao crime? Não acha que este é grande produto de comportamentos injustos de quem está fora das grades? Como mudar isto? E como fazer com que o tempo de prisão não seja um tempo perdido? (5).

Pois a meu ver, acertou: não estamos para adoptar comportamentos que dêem cabo do nosso stress – que leva a tanta violência. É, é: as sugestões, e muito boas, vêm na página 11. Mas também temos que fazer pressão sobre os poderes políticos…

Ora aí está uma acção concreta, capaz de abraçar o mundo inteiro: Jovens online pelo ecumenismo (15). Diga lá que não é uma feliz partilha das forças que mais alimentam a vida… e que assim ajudam a encontrar soluções para os vários tipos de fome de que todos padecemos.

É isso, todos temos que mobilizar as nossas energias (22), para construir «um só corpo» capaz de lutar por sociedades justas (20). Conscientes de que não basta ficar por uma reunião (24).

Ui! Aquilo de que o Concílio nos leva a falar! (24). Tanta coisa a discutir – e tanta coisa importante para vivermos bem! O que é que certas palavras quererão dizer? E que palavras usar para exprimir problemas novos? Cá por mim, apostava em «pequenos concílios». Não, não falo em «concílios diocesanos»: falo em gente que se reúne, como amigos de «um só corpo», e diz sem receio o que lhe vai na alma sobre esta coisa de sermos «Igreja».

M.A.V., o Carteiro (que não distribui o acordo ortográfico).