Foi um “clamor comum e voz unânime de crianças, jovens e adultos” o Grito pela Paz, no passado dia 11, em todos os arciprestados da Diocese de Aveiro. Expressivo, sem dúvida, provocante mesmo. O efeito surpresa e de bola de neve é possível que desenvolva em muitos o desejo da cultura da Paz.
Importa, porém, que estes ecos da noite de sexta-feira não se percam nos confins dos espaços públicos em que foram produzidos. A tarefa árdua poderá estar despoletada. Urge pegar nas centelhas de chama que saltaram da fogueira da emoção e alimentar o fogo de forma adequada.
“O nosso tempo… requer um renovado e concorde empenho na busca do bem comum, do desenvolvimento de todo o homem e do homem todo. (…) Causam apreensão os focos de tensão causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo predomínio duma mentalidade egoísta e individualista”, escreveu o Papa Bento XVI na sua mensagem para o passado Dia Mundial da Paz.
Os males têm de se curar pela raiz, a construção tem de se começar pelos alicerces. Quem vai dar continuidade ao grito, arregaçando as mangas, sujando as mãos nas mudanças de mentalidade necessárias? Que movimentos e estruturas desenvolvem as nossas paróquias, que empenho têm os nossos pastores numa ação das comunidades para debelar este pecado social das injustiças?
E, se alguma vez essas questões estavam circunscritas a determinados sectores e ambientes, hoje podemos dizer que são transversais a todos os lugares e sectores da população. “A Humanidade não pode calar a sua voz e os que sofrem indiferença, abandono, violência, ódio, guerra ou exílio têm direito a sentir que a esperança renasce e que é de todos nós a causa da Paz”, escreveu o nosso Bispo na mensagem para o Dia do Grito.
Estamos em missão jubilar. Não podemos ficar a saborear a alegria de um instante, o consolo de um momento fugaz! Somos enviados a fazer deste ano um ano de graça, verdadeiramente jubiloso, onde quer que nos encontremos. E só o será com o trabalho de todos nós, até porque “a paz envolve o ser humano na sua integridade e supõe o empenhamento da pessoa inteira: é paz com Deus, vivendo conforme a Sua vontade; é paz interior consigo mesmo; e paz exterior com o próximo e com toda a criação”, como diz Bento XVI na referida mensagem.
O caminho é longo; mas é realizável. A ação é interdisciplinar; mas a cumplicidade não está fora do nosso alcance. “A realização da paz depende, sobretudo, do reconhecimento de que somos, em Deus, uma única família humana. (…) A paz não é um sonho nem uma utopia; a paz é possível!” – Bento XVI. Depende também de mim e de ti!
“Bem-aventurados os obreiros da Paz, porque serão chamados filhos de Deus!” (Mt.5,9).
Gritemos, com todas as pessoas de boa vontade, a Paz para todos, a Paz construída por todos! Gritemos com Madre Teresa de Calcutá:
A coisa mais fácil: errar!
O maior obstáculo: o medo!
A pior derrota: o desânimo!
A primeira necessidade: comunicar-se!
O pior sentimento: o rancor!
O presente mais belo: o perdão!
A sensação mais agradável: a paz interior!
A força mais potente do mundo: a fé!
A mais bela de todas as coisas: o AMOR!
