O nosso Jornal Ninguém fala de outra coisa (2)! Faz impressão ver o Papa resignar, e não só por ser acontecimento raro. É tão bom pensar que há alguém assim tão «perto de Deus» e a quem podemos dar as mãos no caminho da vida – não é? Mas olhe que nem o Papa deve ser olhado como apoio sólido. Porquê? Porque a solidez só está em Jesus Cristo, não acha? Felizmente que os últimos Papas se têm preocupado com mostrar essa solidez. Pois não, nem os Papas foram todos bons exemplos. E diga lá, não acha natural que haja muita gente (e bons católicos!) que não concorda em tudo com o Papa? Compreendo, sim senhor: mexe com a gente falar destas coisas. Sabe, não estamos habituados a pensar sobre o que é sólido na nossa fé… Nem estamos habituados a escutar e a aprender, quando os outros dizem coisas com que a gente não simpatiza… (22). Mas olhe que já se escreve muito sobre o assunto, com muitas maneiras de olhar e avivando a história da Igreja – evidente que com o que tem de bom e de mau. Diz bem, a gente não tem tempo para ler tanta coisa (e cá entre nós, o ensino escolar da História dá-nos uma base muito pobrezinha…). Talvez apareçam uns artigos que saibam dizer muito em poucas palavras – e, diz bem, com palavras que se entendam! É sim, a «linguagem hermética» (24) é aquela que a maioria das pessoas não percebe. E não só por usar palavras caras! O jeito de falar, os assuntos escolhidos… parece que nos passam ao lado, não é? Boa malha: «linguagem hermética» é também uma expressão muito «hermética»! Mas olhe que faz muita falta conhecer a riqueza da nossa língua. Doutro modo, passamos ao lado de muitos assuntos essenciais para a vida. Olhe, é por ignorâncias como essa que não entendemos o que é importante ou não na Bíblia (19) ou o que deva ser a educação moral e religiosa (6).
E para terminar, na linha do que escreve o nosso Bispo (4), vai um pensamento de oiro que lhe ouvi há poucos dias numa homilia: «só somos felizes se formos todos felizes».
M.A.V., o Carteiro (que não distribui o acordo ortográfico)
