O nosso jornal Viu aquela página dos acidentes com crianças (14)? A gente nem cai na conta dos perigos à volta delas! E também não cai na conta de que cuidar de crianças ou ter filhos não é só uma coisa bonitinha ou que nos dá muita consolação… Ora aí está: é muito importante o planeamento familiar e não só o financeiro, e sobretudo educar os sentimentos (até para não cairmos nas ordinarices de expressões e sentimentos de um certo ex-secretário da cultura! Como é possível? Como é que se elege, para promover a cultura, alguém que não sabe o que é cultura?) O pior é que temos muita preguiça (e até medo!) para pensar e agir da maneira mais justa. Pudera! Dá mesmo trabalho avaliar as razões e sentimentos, quer os nossos quer os dos outros… Ao fim e ao cabo, é uma questão de aplicar na vida o cuidado com as crianças: olhar bem à volta para evitar surpresas desagradáveis e muito perigosas, estar atento às consequências de palavras, de acções, de como alteramos o meio ambiente… Enfim, ter os olhos bem abertos para o que se passa no mundo – pois daí nos pode vir muito mal e muito bem. Duvida que nós os dois podemos mudar alguma coisa na política, na economia, na cultura…? Para já, não acha que podemos dar exemplo de como cuidar da qualidade da água (9)? Tão simples e tão fundamental! E atrás desse cuidado, outros cuidados se vão fortalecendo, mesmo quanto à política e essas coisas todas. Isso é que é ser profeta (23): não é adivinhar o futuro nem dizer coisas lindas; é fazendo o bem mas bem feito (como dizia um amigo meu) e assim animamos os outros a fazer igual. Por isso é que a resignação de Bento XVI foi um «gesto profético» (2 e 3), e por isso é que esperamos que os nossos bispos (4) sejam «profetas» de coragem, de verdade, de clarividência, de convivência cativante… (cada qual ao seu jeito, está bem de ver!) E que se mostrem assim, sobretudo nos momentos difíceis! Pois, é não esperar pela casa roubada para pôr trancas na porta. Santo provérbio!
E até vem muito a propósito da resignação do Papa: um exemplo de saber olhar à volta e de planeamento prudente – a aplicar a tudo aquilo que dizemos e fazemos… e para «reformar» (22) ou «transfigurar» (18) a organização da sociedade. A quem o diz! O poder, o dinheiro, a vaidade, o orgulho (7)… fazem-nos esquecer de que temos que estar atentos ao bem estar não só das crianças… E que o principal cuidado com as crianças é dar-lhes vontade de crescer. Pois, só que a fé é apresentada às vezes de tal maneira que não dá muita vontade para crescer na fé… mas não acha que podemos dar uma ajudinha quanto a isto?
M.A.V., o Carteiro (que não distribui o acordo ortográfico)
