Da mitologia à crença

Ponta de Lança A mitologia clássica trouxe à cultura ocidental as interpretações que os homens fizeram do transcendente no seu tempo. Ares foi tratado como o deus olímpico da guerra, ele é o deus da guerra selvagem, ou sede de sangue, da matança personificada. Encontra paralelismo, na mitologia romana, em Marte, filho de Juno e de Júpiter, e considerado o deus da guerra sangrenta.

Depois do mito virá a convicção, a crença.

Esta explicação teísta da natureza, da vida, da sua evolução, coloca-nos perante a apreensão quando os dados são inevitavelmente lançados. Perante a sucessão de decisões e precipitação de acontecimentos, perante a inevitabilidade (da guerra), Júlio César proferiu a sentença que viria a tornar-se o clássico na impossibilidade de inverter as situações, “alea jacta est”, “os dados estão lançados”- foi assim que, supostamente, Júlio César exteriorizou a decisão de cruzar com suas legiões o rio Rubicão. Ou seja, semeados os ventos da intolerância e da perdição pouco ou nada se poderá fazer para chamar à razão o ser humano.

Recentemente, ao pronunciar-se sobre a atual crise europeia, Juncker referiu detetar muitos paralelismos com 1913, um período em que todos pensavam que nunca mais haveria uma guerra na Europa. E considerou ser impressionante reconhecer como a situação europeia em 2013 se assemelha com a registada há 100 anos. Os primeiros sinais foram detetados no decurso das campanhas eleitorais na Grécia e Itália. Onde surgiram ressentimentos que julgávamos terem desaparecido para sempre.

Mais a Oriente, a Coreia do Norte, vendo-se isolada, segue a ancestral estratégia perante o cerco: elege um alvo e galvaniza as tropas. Pode-se não ganhar a guerra mas sai-se como herói. Porém, nunca é demais insistir, quem nada tem não perde nada!

Entretanto, esperar-se-á que o ser humano não perca a fé, pelo menos em sim próprio e na capacidade de se encontrar.