Frota pesqueira nas águas internacionais reduziu-se de 111 para 41 embarcações. Armador critica entraves ao acesso à profissão.
Desde a adesão de Portugal à União Europeia, e até ao ano de 2011, a frota pesqueira portuguesa que operava em águas internacionais, foi reduzida de 111 para 41 embarcações, enquanto na frota de arrasto costeiro, o número de barcos passou de 164 para 78, referiu Pedro Jorge Silva, da Associação das Pescas Industriais, num encontro sobre o setor das pescas realizado no Museu Marítimo de Ílhavo.
Apesar desse “brutal” esforço de requalificação e de ajustamento às normas europeias, Portugal não beneficiou em nada com o atual crescimento dos stocks de peixes de espécies tradicionalmente pescadas por Portugal, com destaque para o bacalhau, tanto mais que desde há anos que a União Europeia não permite a construção de novas embarcações de pesca industrial.
Este armador considera que as acentuadas medidas restritivas impostas pela atual comissária europeia para as pescas em nada beneficiam os stocks marinhos, porque os europeus são responsáveis unicamente por cerca de seis por cento das capturas mundiais, pelo que quando as embarcações europeias deixam de operar num banco pesqueiro, essa posição é de imediato ocupada por frotas asiáticas, essas sim “dizimadoras” das espécies.
Pedro Jorge Silva é de opinião que o mega ministério que atualmente tutela as pescas é um desastre, por ser inoperacional, afirmando mesmo que pessoas que estão a ocupar cargos diretivos não têm preparação técnica para isso e “estão extremamente mal assessorados” por jovens que nada conhecem da realidade do sector.
Num momento em que há tanto desemprego, este armador não compreende como há tantos entraves ao acesso à profissão marítima, com as inerentes dificuldades na obtenção da cédula marítima. Em sua opinião, também é nocivo o excessivo enfoque no investimento estrangeiro, sem iguais incentivos financeiros para os investidores portugueses, e nas exportações, lembrando que o consumo interno é bastante importante.
C.F.
Piscicultura nas antigas marinhas em risco
Apesar de atualmente haver mais de vinte licenças para a atividade de aquacultura e piscicultura nas antigas marinhas de sal de Aveiro, estarão em funções cerca de meia dúzia, perspetivando-se que, a curto prazo, mais uma ou duas encerrem, realçou o aquicultor Balseiro.
Essa redução, que poderá pôr em risco a piscicultura naquela zona da Ria de Aveiro, é justificada pela constante subida dos custos de produção, especialmente das rações, a crise económica e a consequente redução do poder de compra das famílias portuguesas, a predação de peixe por parte dos bandos de corvos marinhos e os roubos de pescado por pescadores furtivos.
