Na rua com a força recebida no templo

Uma pedrada por semana O que escrevo semanalmente no CV é publicado a seguir por muitos jornais do país. Nem eu sei em quantos, porque uma vez publicado o que escrevo, deixa de me pertencer.

Encontro, frequentemente, perto e longe, pessoas que me agradecem o que leram e me falam do que escrevi. Críticas ou elogios, para mim já só valem para continuar a escrever e melhorar o que escrevo.

Percebo, porém, que o apreço maior dos leitores é por falar sobre coisas da vida das pessoas, da sociedade, da Igreja, da família, da política… Não escondo, porém, a preocupação por sentir que, de um modo geral, as pessoas pensam e até o dizem, que a Igreja, em geral, fala pouco do concreto da vida e fica, muitas vezes, por um religioso desencarnado e, logo, por isso, empobrecido.

Grande preocupação do Vaticano II foi levar a Igreja a não se confinar ao templo, nem a cerimónias lindas e vistosas, mas que prestasse sempre atenção à vida das pessoas.

O palco da vida é a rua, a casa de família, o lugar de trabalho ou de lazer, o espaço onde cada um dá conta do seu compromisso social e político. Os cristãos conscientes, independentemente da sua cultura, vão ao templo para se encherem de Deus, se habituarem a contar uns com os outros, aprenderem ler a vida à luz da fé, verem os problemas iluminados pela doutrina social no rosto de quem os sofre. Assim, encontram coragem para as lutas inadiáveis do dia-a-dia que, depois, vão confrontando em grupos, convívios e assembleias.

A Igreja não pode estar voltada só para si, mesmo quando reflecte problemas que parecem apenas seus, como as vocações, a catequese, a liturgia dominical, os movimentos apostólicos…Ela é um dom para os outros, para o mundo, para a sociedade. Fechá-la no templo ou na sacristia e eliminá-la da vida social é o projecto que o laicismo ateu não esconde e pelo qual luta de muitos modos, claros e ocultos.

Sair para a rua com a força recebida no templo e ser aí sal e luz é a verdadeira vocação da Igreja e de cada cristão.