Igreja Católica assina protocolo com Fundação Gulbenkian para inventariação de bens culturais

Apenas 20% do património da Igreja está inventariado. Apoio da Fundação Calouste Gulbenkian pode alterar panorama.

A Igreja Católica vai iniciar uma “nova dinâmica na área do inventário” do seu património, “fruto de um apoio importante da Fundação Calouste Gulbenkian”, revelou a diretora do Secretariado Nacional para os Bens Culturais. O património da Igreja “só está inventariado na ordem dos 20%”, o que é “dramático” dado que uma peça não catalogada “é como se não existisse”, sublinhou Sandra Costa Saldanha.

“O inventário é um passo fundamental para todas as questões que tenham a ver com os bens culturais da Igreja, não só por uma questão de segurança mas também de auscultação dos problemas, já que ao inventariar se percebe o estado da peça, possibilitando a realização de uma espécie de ‘carta de risco’ do património”, explicou.

Depois de salientar que o protocolo vai permitir que as dioceses tenham acesso a “sistemas de gestão profissionais”, a diretora manifestou a esperança de que seja possível desenvolver um trabalho “empenhado e concertado” entre as comissões diocesanas responsáveis pela arte sacra. “Se queremos chegar ao grande objetivo do património, que é colocá-lo ao serviço da missão da Igreja, temos de o conhecer. E sem estes passos prévios nunca poderemos usufruir nem beneficiar eficazmente dele”, acentuou.

Sandra Costa Saldanha também sublinhou a importância de legar “com muita responsabilidade às próximas gerações” a “grande herança” artística e cultural da Igreja. As declarações foram proferidas à margem da ação de formação em Conservação Preventiva que o Secretariado para os Bens Culturais da Igreja organizou na segunda-feira em Lisboa.

O objetivo do encontro foi responder à “incapacidade e desconhecimento das pessoas que normalmente asseguram o tratamento e o património e dos vários bens existentes nas igrejas em assegurarem a sua manutenção de forma correta”, referiu.

O procedimento e os produtos para limpar pinturas, talhas, mobiliário, azulejaria, escultura, paramentos e ourivesaria, a proteção de telhados e a conservação dos altares estão entre as “instruções básicas ao alcance de qualquer pessoa” incluídas nesta formação, que não exige “mais investimento financeiro” da parte das paróquias para além do já existente.

“Há uma atitude muito autodidata e autónoma na maior parte dos casos”, assumida “na maior parte dos casos com a melhor das boas vontades mas, que frequentemente, não se faz de forma correta”, assinalou Sandra Costa Saldanha.

A responsável faz um balanço “extremamente positivo” das ações formativas promovidas pelo Secretariado. Sandra Costa Saldanha nota o crescimento da consciência de que “quando as peças chegam a determinado ponto de degradação é necessário chamar-se um técnico qualificado”, sensibilização essencial para evitar “maus restauros”, que estão entre “os crimes mais graves” cometidos contra o património.

Ag. Ecclesia