Livros que precedem os papas

Quando João Paulo II foi eleito, muitos repararam de imediato no livro “As Sandálias do Pescador”, de Morris West, publicado em 1963, que relatava a eleição de um Papa ucraniano, arcebispo de Lviv. Libertado após duas décadas de trabalhos forçados na Sibéria, o arcebispo é feito cardeal e participa no conclave devido à morte inesperada de Pio XIII, sendo eleito. Estava-se no tempo da Guerra Fria e o Papa escolhe o nome eslavo de Kiril.

Era inevitável pensar no Papa polaco, o “Papa que veio do Leste”, e a coincidência só não foi maior porque Karol Wojtyla, embora pensasse em escolher o nome eslavo de Estanislau, acabou por optar por João Paulo II.

E com o Papa Francisco? No ano 2000, o padre italiano Paolo Farinella escreveu o livro “Habemus Papam, Francesco I”. Dez anos depois, reescreveu o título, mantendo o interior: “Habemus papam. La leggenda del papa che abolì il Vaticano” [A lenda do papa que aboliu o Vaticano].

Em resumo, a história, recordada no dia 8 de março pelo jornalista Maurizio Chierici no jornal “Il Fatto Quotidiano”, fala de um pároco genovês chamado a Roma durante um impasse no conclave. E a surpresa acontece. O pároco é eleito. E quando se dirige ao povo, explica: “Escolhi o nome de Francisco não por um capricho político, mas sim para que ele permaneça como marca de fogo na minha carne. Deve ser um lembrete constante a levar a sério o Evangelho: a caridade como lei, a pobreza como estilo, a comunhão como método”. Os primeiros atos deste Papa literário consistem em despojar-se dos anéis, da cruz de oiro, dos paramentos luxuosos, deixando incrédulos os cardeais que o rodeavam.