Poço de Jacob – 149 Acabo de ler um livro com este título: “Deus ri”. De um padre jesuíta, James Martin. Leitura leve e divertida. Bem à americano. Interessante. Com algo de novidade nas observações bíblicas, talvez algumas discutíveis à luz da exegese. Mas, recomendável.

A vida não é fácil. Há dias esperava a minha vez para ser atendido numa farmácia. Como esperei 40 minutos, deu para ouvir muita conversa. Por acaso, conhecia as pessoas. Gente muito da Igreja e de um movimento eclesial. Foram mais de 30 minutos a ouvir queixumes. Relatos de doenças e tragédias. Enfim, como diz um amigo meu, poderia ter saído de lá e ter ido “buscar uma corda e ir para o sótão”. A conversa era do mais deprimente possível. Perguntei-me onde fica a luz do Evangelho nestas vidas de missa quase diária.

Sei que a vida de nenhum de nós é fácil. Hoje com muitas complicações a nível profissional, de segurança, de dinheiro, de realização pessoal. Um desafio contínuo de superação que nos desgasta profundamente e nos faz vacilar na fé. Afinal, onde está Deus?

Neste livro, o autor convida-nos a rir e sorrir de tudo isso, à luz de uma ideia: Deus também ri e sorri.

Todas as imagens de Cristo, Maria e dos santos são sérias. As vezes intimidam. Outras são tão mal feitas que até dão medo. E a imagem mental que nos acompanha é, ainda hoje, mais de um Deus de quem devemos temer o castigo do que um Amigo que nos oferece a Sua Misericórdia. Ou então caímos no outro extremo de fazer Dele o amigalhaço do tu a Tu, confundindo o que deveria ser confiança e proximidade com leviandade e ligeireza, quando não ronda a falta de respeito e de um certo temor que nos leve a agradá-Lo fugindo do pecado.

Um santo dizia que tudo no mundo vai acabar bem, porque Deus é bom e é bom tudo o que Ele faz. Desde que O deixemos fazer, claro. O autor deste livro mistura anedotas que talvez sejam engraçadas na América, mas não tanto para nós, e situa Jesus numa vida que, sem deixar de ter sido penosa, foi enriquecida com muito humor, porque a alegria do Espírito de Deus O envolvia continuamente. E traça onze regras, interessantes para podermos levar a vida com otimismo que brota da Fé.

Enumero-as. Pensem nelas. Leiam o livro e vejam o seu desenvolvimento:

O humor evangeliza.

O humor é uma ferramenta de humildade para nos rirmos de nós mesmos.

O humor pode ajudar a reconhecer a realidade.

O humor diz a Verdade ao poder.

O humor denota coragem.

O humor aprofunda a nossa relação com Deus.

O humor acolhe.

O humor cura.

O humor promove as boas relações humanas.

O humor abre-nos a mente.

O humor é divertido.

Deus ri! A Igreja deve rir também. Alegrem-se sempre! No Senhor que ressuscitou! Aleluia!

Vitor Espadilha