Águeda e Fundão, onde viveu, homenageiam o escritor, músico, administrador e benfeitor social, Adolfo Portela.
No dia 19 de Março, a Câmara Municipal de Águeda, em parceria com a Câmara Municipal do Fundão, vai homenagear Adolfo Portela, numa sessão solene que terá início pelas 15 horas, seguindo-se a inauguração da exposição “Além da Ponte – Vida e obra de Adolfo Portela”, constituída por mais de 80 artigos publicados em jornais e revistas, documentos e artigos pessoais e 13 dos 14 livros escritos por Adolfo Portela. A exposição é organizada por João Barroca e Diamantino Gonçalves.
Pelas 16h30, no Cine-Teatro S. Pedro, será apresentado o musical “A Noiva de João”, comédia lírica do próprio Adolfo Portela.
Adolfo Rodrigues da Costa Portela nasceu no lugar de Além da Ponte, freguesia de Recardães, concelho de Águeda, em 16 de Agosto de 1866. Filho de José Rodrigues Pinto e de Maria de Jesus e Silva. Licenciou-se em direito na Universidade de Coimbra. Casou em 26 de Abril de 1890 com Isabel Joaquina Robalo, natural do Fundão. Faleceu no Fundão, em 1923, com 57 anos. Nesta cidade foi sepultado.
Acompanhava desde jovem, enquanto estudante em Coimbra, o seu irmão Dr. António Rodrigues Pinto, que se fixou 1879 no Fundão como médico-cirurgião. Frequentava a casa dos senhores Matheus Isidoro e de D. Maria do Rozario Roballo, pais daquela que viria a ser a sua mulher.
Escritor com relevante acção social
Além de advogado, tesoureiro da Fazenda Pública (em Águeda e no Fundão) e administrador dos concelhos de Guarda e Castelo Branco, entre outros cargos, Adolfo Portela foi ainda poeta, músico, compositor, dramaturgo, tradutor (traduziu os livros “Papa Negro”, “Sciencia da Educação”, “Os Martyres da Sciencia”, e “Papisa Joana”), crítico literário, contista, ensaísta e jornalista.
Adolfo Portela foi também compositor e guitarrista afamado. Entre as suas composições destaca-se a comédia lírica “A Noiva de João”, peça que levou à cena em Águeda, Castelo Branco e Alpedrinha. Fez ainda outras representações como as operetas “A Festa do Pão”, “O Tambor da Folia” e “A Ritinha do Alcambar”.
Na literatura e na poesia deixou obras como: “Águeda – Crónicas, paisagens e tradições”, “Contos e Baladas”, “Boémia Lírica”, “Pela África e Sol-posto”, “O País do Luar”, “Por bem de Águeda”, “Orvalhadas” e “Jornal do Coração”. Colaborou ainda em vários jornais de Águeda e do Fundão e no “Almanach da Beira”.
O seu humanismo levou-o com um grupo de amigos a fundar a Cantina dos Pobres em 1912.
Adolfo Portela figura na toponímia de Águeda e é patrono de um das escolas secundárias da cidade e do Centro de Formação Intermunicipal. No Fundão, dá o nome a uma das ruas mais emblemáticas da cidade, na qual ficava a Cantina dos Pobres, que ajudou a construir. Nesse edifício está hoje instalada uma loja social com o seu nome.
