Demolida antiga Casa da Câmara de Aradas

O património histórico de Aradas está mais pobre com a demolição da antiga Casa da Câmara.

O historiador Amaro Neves, residente em Aradas, foi o primeiro a alertar para a perda do edifício sede da antiga Câmara Municipal de Aradas, imóvel que apesar de pequeno na sua dimensão era de inestimável valor histórico para Aradas, por ser a última referência física do antigo município de Aradas, extinto em 1836.

Autor de alguns livros sobre a história e o património aveirense, incluindo um sobre o municipalismo em Aveiro, Amaro Neves refere que “surpreendentemente, a meio da semana passada, a casa foi convertida num montão de escombros e, sobre este sucedido, não se ouviu, até ao momento, uma explicação que justificasse a atitude”.

Também a ADERAV (Associação de Defesa e Estudo do Património Natural e Cultural da Região de Aveiro), pela voz do seu presidente, Lauro Marques, lamenta a perda desse património, considerando esse facto como inexplicável por estar a decorrer o respectivo processo de classificação.

Tanto Amaro Neves como Lauro Marques se questionam como foi possível autorizar essa demolição. Igualmente, e atendendo à antiguidade do imóvel, querem saber se será efectuada pesquisa arqueológica no local.

De referir que a antiga Casa da Câmara estava anexa a uma moradia erguida nos inícios do século XX, edifício que agora foi demolido.

Historiando a origem do Concelho de Aradas, Amaro Neves diz que ele “terá sido constituído em 1181, por concessão do mosteiro de Santa Cruz, a que S. Pedro das Aradas pertencia”.

Desde então, prossegue Amaro Neves, Aradas “manteve a sua vida municipal, certamente exercida de forma muito simples, mas representando os moradores do concelho”. No séc. XVII, por motivos desconhecidos, a câmara foi dotada de casa nova, na rua Direita, que se encaminhava para a porta da Vila, de Aveiro. Foi nessa casa que se manteve o exercício municipal até 1836 quando, na sequência da novas leis administrativas, o concelho foi extinto e as suas povoações integradas no concelho de Aveiro (como aconteceu também com Esgueira e Eixo). Esta casa municipal era descrita, “na 2.ª metade do séc. XIX, como um casebre insignificante, com uma sala em cima, para as sessões e audiências, com uma prisão que tinha apenas uma janela gradeada” (conforme, edição recente de A.N., Das Autarquias Aveirenses, CMA, 2011, pg. 66, na qual se insere imagem da casa)”.

“Por tais razões e porque se tratava de uma casa com história numa freguesia em que raros casos tal justificam, havia sido sugerido a sua classificação”, finaliza o historiador.

Cardoso Ferreira