Artesanato pode minimizar flagelo do desemprego. Estruturas associativas dão apoio técnico e formativo.
A Federação Portuguesa de Artes e Ofícios (FPAO) tem a sua sede nacional em Aveiro, na Rua dos Mercadores (“Arcos”), local onde também tem a sua sede a Associação de Artesãos da Região de Aveiro “A Barrica”, entidade que visa a promoção e desenvolvimento de todos os ofícios e artes tradicionais, com especial destaque para o artesanato.
Actualmente, a Federação representa cerca de uma vintena de associações, distribuídas por todo o país, incluindo as regiões autónomas. Neste momento, a presidência da FPAO é exercida por Leandro Coutinho, presidente da Associação de Artesãos da Região Norte (com sede no Porto), enquanto o cargo de tesoureiro é ocupado por Evaristo Silva, presidente de “A Barrica”.
Para se ser artesão não é necessário possuir a “Carta de Artesão” (a carteira profissional do sector), como sublinha Leandro Coutinho, que, no entanto, reconhece que “há associações que exigem a carta de artesão, mas também há associações que não põem essa condição aos seus associados para serem artesãos”. No caso concreto da associação a que preside, a Associação dos Artesãos da Região Norte por ser uma entidade “profissional ou profissionalizada, obriga que todos os seus associados tenham carta de artesão”.
Apesar da FPAO não estar vocacionada para organizar feiras de artesanato, o seu presidente revela que “como verificámos que em diversas localidades importantes do país há uma lacuna grave no que se refere à realização de feiras de artesanato, o nosso plano de actividades, para o ano em curso, contempla a realização de diversas acções com vista à promoção dos artigos artesanais, concretamente do artesanato. Temos ainda previsto, para o final do ano, a realização de um bazar de Natal, em Lisboa”.
Artesanato
promove emprego
Leandro Coutinho considera que o artesanato pode contribuir para minimizar o flagelo do desemprego em Portugal. Para isso, diz, “é preciso que as pessoas, responsáveis – políticos e potenciais artesãos, olhem para o artesanato com olhos de ver, porque o artesanato pode dar uma resposta imediata na criação de emprego”.
“Para se ser artesão basta saber pegar numa arte com cariz tradicional”, explica Leandro Coutinho, dizendo que “a Federação Portuguesa de Artes e Ofícios, juntamente com o Instituto de Emprego e Formação Profissional, estão muito atentas a esta premente situação de flagelo que é o desemprego”, pelo que “estão disponíveis para dar todo o apoio, técnico e formativo, a que pretenda iniciar uma actividade ligada ao artesanato”.
Feira da Primavera no Rossio de Aveiro
Até ao dia 26 de Abril, no Rossio de Aveiro, está a decorrer a quinta edição da Feira da Primavera, evento organizado em conjunto pela Associação de Artesãos da Região de Aveiro “A Barrica” e pela Câmara Municipal de Aveiro.
Para o presidente de “A Barrica”, Evaristo Silva, o sucesso deste certame está garantido pela habitual afluência de turistas, sobretudo espanhóis, que visitam a cidade de Aveiro na quadra da Páscoa, “que todos os anos ultrapassam os dez mil”, facto que, apesar da crise, se espera que volte a ocorrer no presente ano.
O turista espanhol é, no dizer de Evaristo Silva, “um potencial cliente para os artesãos da região de Aveiro escoarem os seus produtos”, motivo pelo que este certame tem a participação de várias dezenas de artesãos associados de “A Barrica”, aos quais se juntam mais alguns, oriundos de outras zonas do País, sobretudo do Centro e Norte, de modo a criar diversidade de oferta e, consequentemente, maior atracção.
