O conhecimento exige sempre humildade

“Enquanto cientista, é rigoroso. Mas quando fala de religião, parece ter um problema pessoal”. Assim se referiu Isabel Varanda ao cientista inglês Richard Dawkins, um dos mais fervorosos apóstolos do novo ateísmo, na apresentação do livro do teólogo irlandês Alister McGrath, “O Deus de Dawkins”. No último momento do I Simpósio Fé e Ciência, a professora de teologia de Braga defendeu que a busca de conhecimento deve ser feita sempre de “humildade e de joelhos dobrados”, atitude que, manifestamente, Dawkins não possui.

Oriundo da área da Biologia, com trabalhos científicos de grande nível sobre a evolução ligada ao gene (“O gene egoísta”, obra de 1976), Richard Dawkins serve-se da ciência natural para fazer afirmações de fé (“O relojoeiro cego”, de 1986, é um dos seus títulos mais conhecidos), numa espécie de teologia ateia, fechando-se por princípio a qualquer manifestação religiosa e apontando como incoerente a atitude dos ateus moderados que, não acreditando, aceitam e compreendem que haja outros que acreditam.

No mais recente livro publicado em português, “A desilusão de Deus ”, Dawkins defende que não existe uma “inteligência sobrenatural que criou de modo deliberado o universo e tudo o que nele há, incluindo nós” (definição que dá a Deus, mas que os teólogos cristãos começam logo por refutar porque Deus é mais do que “inteligência»”), porque “qualquer inteligência criadora, dotada de complexidade suficiente para conceber o que quer que seja, só pode passar a existir enquanto produto final de um longo e gradual processo de evolução”.

Richard Dawkins é muito popular nos EUA e em Inglaterra, onde promoveu os “autocarros ateus” e chegou a afirmar que pretendia pôr o Papa em tribunal – por causa da pedofilia do clero – a quando da visita de Bento XVI ao país de Sua Majestade. Alister McGrath desmonta com seriedade e rigor as pretensões de Dawkins derrotar a Teologia usando a Biologia, mas reconhece que “os cientistas e os teólogos têm muito a aprender uns com os outros”. E conclui: “Ao ouviram-se mutuamente, talvez possam ouvir as galáxias. Ou mesmo os céus, declarando, como diz o Salmo 19, a glória do Senhor”.

Prémio Póvoa dos Reios entregue a duas alunas

O Instituto Superior de Ciências Religiosas instituiu o Prémio Póvoa dos Reis para distinguir trabalhos de alunos sobre a relação Fé/Ciência. Na primeira edição o prémio de 500 euros não foi atribuído, mas o júri distinguiu as duas participantes com uma menção honrosa e dois vales para compra de livros no valor de 100 euros cada. As alunas distinguidas foram Julyana Dantas (do 9.º ano, do Agrupamento de Escolas Dr. Garcia Domingues-Silves, Faro) e Daniela Sousa (11.º ano, da Escola Secundária José Estevão, Aveiro).