Cortejo dos Reis da Gafanha da Encarnação comemora cem anos

No próximo domingo, as ruas da Gafanha da Encarnação irão receber mais um Cortejo de Reis, evento que este ano assinala o seu primeiro século de existência.

A Comissão Organizadora do Cortejo dos Reis, constituída por cinco elementos, iniciou a preparação do presente cortejo há cerca de três anos, tendo adquirido trajes, cenários, acessórios e adereços decorativos, muitos dos quais foram utilizados nas anteriores edições, uma vez que o valor desse investimento era incomportável para ser feito num só ano. Em simultâneo, a comissão criou condições para melhores ensaios dos actores, músicos e cantores, e também na organização do próprio cortejo.

A Câmara Municipal de Ílhavo e a Junta de Freguesia da Gafanha da Encarnação colaboram com a comissão em termos logísticos, o mesmo acontecendo com os principais movimentos da paróquia, uma vez que as receitas do leilão das oferendas (que se realiza na tarde de domingo) revertem para a paróquia.

O cortejo terá início, por volta das 9 horas, no extremo sul da freguesia da Gafanha da Encarnação, onde terá lugar a cena da “Anunciação do Anjo aos Pastores”. No Largo junto ao Salão Cultural será recriada a “Fonte de Elias”, com a cena dos Árabes e o sempre aguardado canto da Cigana. Mais a norte, na zona do Cruzeiro, haverá uma reposição da “Anunciação do Anjo aos Pastores”. O cortejo tem o seu culminar com a cena da “Casa de Herodes”, na qual o rei de Jerusalém recebe os três Reis Magos, no Largo da Igreja, terminando o cortejo com a cena da “Adoração do Menino pelos três Reis Magos”, após o que haverá o habitual “Beijar o Menino” na Igreja Matriz.

A grande novidade do cortejo deste ano será a incorporação de novos “figurantes” no cortejo, nomeadamente soldados romanos e guardas do rei Herodes. A estes juntam-se cerca de três dezenas de figurantes (actores) que habitualmente preenchem o elenco do cortejo, e ainda outros tantos músicos e cantoras.

Cerca de uma centena de pessoas trabalham directamente para que o cortejo seja uma realidade, desempenhando funções tão diversas como figurantes (actores), cantoras, músicos, construtores de cenários, técnicos de som, condutores dos veículos envolvidos no cortejo e os “leiloeiros” das oferendas. No entanto, ao longo do percurso, o cortejo vai crescendo com a adesão de populares que, geralmente vestidos com trajes garridos, colaboram na recolha de donativos e no transporte das oferendas.

Manuel Olívio da Rocha, no livro “Gafanha da Encarnação – Monografia da Paróquia”, refere que a primeira notícia documental (um livro de receitas da Irmandade) existente sobre o cortejo dos reis data de 1910.

Cardoso Ferreira