Na Galeria Morgados da Pedricosa está patente ao público, até ao dia 30 de Abril a exposição intitulada “Jeremias Bandarra – 50 anos de pintura. 1961 – 2011” que comemora meio século de vida artística deste conhecido artista plástico aveirense.
Jeremias Bandarra sublinha que “esta é uma exposição retrospectiva da minha obra”, mas é também uma mostra didáctica, porque, explica o artista “os visitantes podem apreciar a minha evolução artística ao longo deste meio século, que começou figurativa e foi evoluindo até chegar ao abstraccionismo actual”.
Entre as cerca de quatro dezenas de telas, há algumas das mais representativas das diversas fases artísticas de Jeremias Bandarra, desde os inícios da década de 1960 até à actualidade. Os quadros foram dispostos de forma que os visitantes possam seguir a evolução artística do autor, pelo que se recomenda que a visita comece pela sala do lado direito (sala maior) e termine na sala do lado esquerdo, local onde se encontram as obras mais recentes.
Em cidades pequenas como era a de Aveiro há meio século, era difícil um artista plástico viver exclusivamente da arte, o que ainda acontece na actualidade, como refere Jeremias Bandarra, reconhecendo, no entanto, que teve sempre o apoio de artistas amigos, começando pelos irmãos Manuel (já falecido) e Hélder Bandarra, que considera “grandes artistas aveirenses”, e passando por muitos outros, em especial os que com ele formaram o Grupo Aveiro Arte, nos primeiros anos da década de 1970, grupo que ainda agora se mantém activo e está sedeado precisamente na Galeria Morgados da Pedricosa.
Sobre estes 50 anos de pintura, a que se juntam diversas actividades artísticas, desde o desenho ao design e às artes gráficas, Jeremias Bandarra diz que foram “anos de muito trabalho, de muita experimentação, de muita pesquisa e investigação, de muitas visitas a museus e exposições”, mas que conseguiu atingir os seus objectivos artísticos, apesar de ser um autodidacta sem formação académica específica em Belas Artes. No entanto, incentiva os mais jovens a adquirirem essa formação académica porque “as bases e a formação são essenciais”, embora reconheça que “muitos desses jovens com formação académica acabam no ensino, e não fazem a sua própria evolução artística”.
C.F.
