Novo perfil do catequista em debate

Desafios e oportunidades da formação no segundo dia de trabalhos do 50.º Encontro Nacional de Catequese.

O presidente da Equipa Europeia de Catequese apelou na Guarda a uma nova “fisionomia do catequista evangelizador, diferente da de antigamente”.

Presente no 50.º Encontro Nacional da Catequese, que decorreu até ao dia 16 de Abril, frei Enzo Biemmi falou num “horizonte de um cristianismo da graça, uma catequese da proposta no registo da surpresa, as atitudes de liberdade e de gratuidade consideradas como dimensões essenciais da fé”.

Na segunda conferência proferida nesta iniciativa, o responsável defendeu uma “lógica formativa de acompanhante/formador”, de “hospitalidade mútua”.

“O esforço da fé implica que o evangelizador se deixe acolher na vida, nas perguntas, nas dúvidas, na necessidade de vida do outro. E não se trata de uma estratégia didáctica, mas de uma profunda atitude humana”, apelou.

Para Biemmi, o acompanhamento “completa a sua tarefa logo que o acompanhante desaparece; o desaparecimento do educador é a condição da interiorização da sua acção educativa”.

Depois de ter falado no tema «A catequese e os catequistas face aos desafios da secularização», o presidente da Equipa Europeia de Catequese voltou à questão para afirmar: “Os nossos catequistas, e nós também, fomos formados para educar uma fé que já lá estava”.

Essa, assinalou, é uma realidade que já se alterou e que exige “uma série de competências” aos catequistas, em quatro áreas – “teológica, cultural, pedagógica e espiritual”.

“O que podemos esperar do catequista, a este respeito, é que ele possa falar da fé ou dá-la a descobrir, não de forma abstracta e separada da vida mas, ao contrário, apoiando-se em tudo o que constitui o concreto da vida, apelando a todos os valores e recursos do meio”, indicou.

Enzo Biemmi considera que os dias de hoje são “uma belíssima época para a fé”. “Não devemos sentir saudades da sociedade de cristandade. Devemos, sim, deixar os nossos olhos encantarem-se com o reconhecimento da acção de Deus nos homens e mulheres de hoje”, concluiu.