Maria Clara, um rosto da ternura e da misericórdia de Deus

A irmã Maria Clara do Menino Jesus (1843-1899), fundadora das Franciscanas Hospitaleiras, vai ser beatificada no próximo sábado, em Lisboa.

Vai ter lugar no próximo sábado, 21 Maio, no Estádio do Restelo, Lisboa, com início às 10h30, a beatificação da irmã Maria Clara do Menino Jesus (1843-1899), fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC).

A celebração será presidida pelo Cardeal-Patriarca, D. José da Cruz Policarpo, sendo representante do Papa o Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.

«Maria Clara, um rosto de ternura e da misericórdia de Deus» é o slogan escolhido para a celebração, que foi preparada por diversas iniciativas de divulgação e formação sobre a futura beata, incluindo uma página na Internet (ver pág. 19).

O ritual da beatificação inclui a leitura da Carta Apostólica e a “chamada procissão das relíquias”, que neste caso será um osso da Madre Maria Clara.

O processo conheceu o seu ponto culminante quando, no dia 10 de Dezembro de 2010, Bento XVI assinou o Decreto de aprovação do milagre atribuído à intercessão da Irmã Maria Clara, relativo à cura de uma católica espanhola, Georgina Troncoso Monteagudo, afectada por um grave problema de pele.

“Mãe Clara”

Libânia do Carmo Galvão Meixa de Moura Telles e Albuquerque nasceu na Amadora, em Lisboa, a 15 de Junho de 1843. Recebeu o hábito de Capuchinha, em 1869, escolhendo o nome de Irmã Maria Clara do Menino Jesus.

A futura beata foi enviada a Calais, França, a 10 de Fevereiro de 1870, para fazer o noviciado, na intenção de fundar, depois, em Portugal, uma nova Congregação. Abriu a primeira comunidade da CONFHIC em S. Patrício – Lisboa, no dia 3 de Maio de 1871 e, cinco anos depois, a 27 de Março de 1876, a Congregação é aprovada pela Santa Sé. Hoje está presente em 14 países.

A «Mãe Clara», como é popularmente conhecida, morreu em Lisboa, no dia 1 de Dezembro de 1899 e o processo de canonização viria a iniciar-se em 1995. Os seus restos mortais repousam na Cripta da Casa-Mãe da Congregação, em Linda-a-Pastora, onde acorrem inúmeros devotos a implorar a sua intercessão junto de Deus.

O milagre atribuído à religiosa ocorreu a 12 de Novembro de 2003, em Baiona (Espanha), numa “devota” que, em 1998, foi ao seu túmulo e pediu a cura de um pioderma gangrenoso (doença cutânea ulcerativa). Georgina Troncoso Monteagudo estará presente na beatificação da «Mãe Clara».

CV/Ecclesia

Seis beatos e um santo nos últimos dez anos

Maria Clara do Menino Jesus junta-se a cinco portugueses beatificados nos últimos dez anos: os Pastorinhos Francisco e Jacinta, de Fátima (13 de Maio de 2000); frei Bartolomeu dos Mártires (4 de Novembro de 2001); Alexandrina de Balasar (25 de Abril de 2004, no Vaticano) e Rita Amada de Jesus (28 de Maio de 2006, em Viseu). Também neste período foi beatificado o Imperador Carlos de Áustria (3 de Outubro de 2004), que faleceu no Funchal, e canonizado Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável (26 de Abril de 2009, no Vaticano).

Nova beata é “incentivo e apoio” para os tempos actuais

Os bispos portugueses escreveram no início de Maio deste ano uma nota pastoral sobre Maria Clara, realçando que “na segunda metade do século XIX, apesar das grandes dificuldades que o catolicismo português enfrentava”, a religiosa “soube manifestá-lo do modo mais criativo e fecundo, com ardente amor a Jesus e generoso serviço dos pobres”. E acrescentam: “Na segunda década do século XXI, face às dificuldades acrescidas de tantos concidadãos nossos, quanto à sobrevivência condigna e ao sentido mais profundo da vida, o exemplo e a intercessão da nova Beata ser-nos-ão de grande incentivo e apoio, na mesma senda da caridade verdadeira”.