Bento XVI iniciou a celebração da Semana Santa no Vaticano, com a missa do Domingo de Ramos, pedindo um “coração puro” aos fiéis de todo o mundo.
“Com o Senhor, caminhamos, peregrinos, para o alto. Andamos à procura do coração puro e das mãos inocentes, andamos à procura da verdade, procuramos o rosto de Deus”, disse. Perante milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, Vaticano, o Papa falou em “dois campos de grativação” que atraem o ser humano, respetivamente, para o bem ou para o mal.
“É Jesus Cristo, que desceu de Deus até nós, e no seu amor crucificado nos toma pela mão e nos leva para o alto”, disse, explicando o sentido da procissão litúrgica do Domingo de Ramos, em que se recorda a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém, seis dias antes da sua morte, na qual, segundo o relato dos Evangelhos, foi saudado por uma multidão com palmeiras e oliveiras como sinal de alegria e paz.
“[Jesus] Caminha para o templo na cidade santa, para aquele lugar que, de modo particular, garantia a Israel que Deus estava próximo do seu povo. Caminha para a festa comunitária da Páscoa, memorial da libertação do Egipto e sinal da esperança na libertação definitiva. Jesus sabe que o espera uma Páscoa nova, e que Ele mesmo tomará o lugar dos cordeiros imolados, oferecendo-se a si mesmo na cruz”, indicou Bento XVI.
Cristo, acrescentou o Papa, “vai a caminho das alturas da cruz, para o momento do amor que se doa. O termo último da sua peregrinação é a altura do próprio Deus, à qual quer elevar o ser humano”.
Bento XVI alertou para a dimensão da “força da gravidade” que puxa a humanidade para baixo, “para o egoísmo, para a mentira e para o mal”. “Por outro lado, há a força de gravidade do amor de Deus: sabermo-nos amados por Deus e a resposta do nosso amor puxam-nos para o alto”, acrescentou.
Ecclesia/CV
Menina japonesa questiona o Papa
sobre o sentido da dor
A entrevista ao Papa Bento XVI, que será difundida na próxima Sexta-feira Santa pela Rai Uno (canal público italiano), começa com uma pergunta de uma menina japonesa. Elena vai perguntar ao Papa sobre o sentido da dor, com base na vida e ensinamentos de Jesus, depois do terramoto e do tsunami que assolaram o Japão. Na entrevista, já gravada, o Papa responde a seis perguntas. Entre os que colocam as questões estão uma mãe italiana que há dois anos cuida do seu filho em coma, uma muçulmana marfinense, que pergunta sobre Jesus e a paz, e sete jovens iraquianos.
