1. “A santidade de um cristão é uma realidade tão densa como o mistério de Deus” – afirmou o senhor Cardeal D. José Policarpo, na homilia da beatificação da Madre Clara. Na realidade, a expressão da envolvência do odor divino no cerne e no quotidiano de uma vida humana, ultrapassa todos os cálculos, todas as concepções de análise e verificação positiva. É a surpresa do inefável. É o encantamento do eterno. É o sol da vida plena.
É, sobretudo, a irradiação do diferente, o contágio do belo e do bem. “No amor de um santo exprime-se a fecundidade de amor com que Deus continua a amar o mundo, no seu Filho Jesus Cristo”. É esse permanente amor fecundo de Deus, por cada um de nós, pela Humanidade, consumado na doação do próprio Filho, que se torna uma centelha do abismo do Amor, na pessoa de cada um que deixa que toda a sua vida seja obra do Espírito Santo.
Mais do que modelo a seguir, protecção a implorar, cada bem-aventurado é esse sinal visível de credibilidade da obra que Deus realiza em nós, certeza da possibilidade de responder ao apelo de Jesus Cristo: “Sede santos, como o Pai do Céu é santo”! E é, principalmente, a força que tonifica a Igreja, aquela vida interior que a vai moldando como “Igreja Santa”.
2. Cada um é santo do seu modo. As nossas vidas diferentes, as nossas histórias e percursos pessoais, os dons que nos foram concedidos, as responsabilidades que nos são cometidas, tudo isso é o terreno onde actua a graça, explicitando os apelos concretos a uma actuação que espelhe a santidade de Deus. Por isso também, cada um é santo de cada tempo: os desafios concretos – a urgência da missão, as exigências sociais, as crises de valores, os problemas familiares… – são outras tantas indicações por parte de Deus dos caminhos onde Ele quer que se faça notar, pela nossa vida, a explosão do seu Amor.
Há circunstâncias que poderão sublinhar a maior heroicidade da santidade que se vive. Há ousadias, cujas circunstâncias históricas são mais relevantes. É sempre a mesma a atitude: escutar Jesus Cristo, deixar-se transformar pelo Espírito!
E muitos e de muitos modos respondem aos desafios, para dar suporte a esta Igreja peregrina, para fazer crescer o Reino neste mundo, para animar e elevar todo o corpo dos que seguem a Cristo.
