Questões Sociais Viu-se, no último artigo, que as grandes forças sociopolíticas parecem norteadas por quatro tendências: O favorecimento do grande capital (legal ou ilegal); o enfraquecimento do tecido económico e social; a desagregação do Estado; e a ominipresença da dignidade humana. Feita já uma ligeira abordagem das duas primeiras tendências, é altura de aflorarmos a terceira e a quarta.
A desagregação do Estado já vem de longe, e tanto resulta da contestação externa como de divisões internas. Contestam-no, praticamente, todas as outras forças sociopolíticas, lideradas talvez pelos grandes meios de comunicação social: Estes actuam em campanha permante contra os governos e atingem, com frequência, os outros órgãos de soberania; utilizam a própria expressão «estado de graça» como verdadeira ameaça; veiculam qualquer tipo de calúnia ou deturpação de factos; e até dão a entender que um critério fundamental da isenção mediática é a contestação do poder instituído. Mas, para além desta contestação externa, o Estado também se encontra dividido, autocontestado, internamente: Os governos regionais e as autarquias locais actuam em reivindicação permanente; o poder judicial e o legislativo opõem-se habitualmente ao executivo; os corpos profissionais superiores – juízes, magistrados do Ministério público, professores, técnicos superiores… – funcionam como detentores de poder soberano «fáctico», alimentado por um clima de insatisfação permanente…
Contudo, apesar da desagregação do Estado, acompanhada pelo favorecimento do grande capital e pelo enfraquecimento do tecido económico e social, a dignidade humana acha-se bem presente em toda a parte: Encontra-se nas forças sociopolíticas, em inúmeras pessoas, famílias, instituições, empresas e outras entidades, com mais ou menos imperfeições; mesmo quem não se pauta pela dignidade chega a criar regras de conduta que funcionam como dignidade alternativa.
Acontece, porém, que as entidades pautadas pela dignidade também se encontram muito divididas: Cada uma tem o seu conceito de dignidade, excluindo não raro os outros, e poucas se dispõem a fazer as alianças necessárias; distanciam-se do pluralismo e da cooperação. Fechada e egoísta, esta dignidade nega-se a si própria e acaba por fazer o jogo das três tendências negativas acima referidas.
