Erros gravíssimos (4)

Questões Sociais Termina aqui a referência a alguns erros que a sociedade e o Estado portugueses, como outros, vêm cometendo há muitos anos e, nalguns casos, há séculos. Foram referidos: o menosprezo da entreajuda e do voluntariado de proximidade; a falta da respectiva articulação com outras instâncias de acção; e o negacionismo político-social. Para não alongar excessivamente esta pequena série de artigos, apenas se enumeram outros erros, tão graves como os anteriores. Realçam-se, particularmente: o menosprezo da família; a dicotomia maniqueísta entre a acção assistencial e a estrutural; a contestação irresponsável; a inadequação das políticas de emprego, apesar da pressão do desemprego; a inadequação das políticas económicas; e o minimalismo da concertação social. Cada um destes erros reclama, de todos nós, atenção e acção permanentes, sob pena de não sairmos da crise; ou sairmos por efeito de forças estranhas à nossa identidade e, bem assim, às nossas necessidades e potencialidades.

O mínimo dos mínimos indispensável, nesta fase, talvez se possa sintetizar em três linhas de acção: o voluntariado social de proximidade; a concertação social permanente e generalizada; e o desenvolvimento local. A promoção do voluntariado social de proximidade, a partir das relações de entreajuda, implica em especial a criação e qualificação de grupos de voluntários/as, no maior número possivel de localidades; para o apoio a essa criação e qualificação, acham-se especialmente credenciadas as organizações de voluntariado, em cooperação com as autarquias locais e com o Governo da República. A concertação social permanente e generalizada deveria realizar-se não só entre os parceitos sociais de âmbito nacional, mas também a nível local e abrangendo os diferentes sectores de actividade económica; também deveria abranger as actividades de carácter social, particularmente no âmbito do «Pacto de Cooperação para a Solidariedade» (em que estão representadas as instituições particulares de solidariedade social, autarquias locais e Governo da República). O desenvolvimento local, especialmente a nível de freguesia, envolve: a concertação do maior número possível de entidades e actividades; a consciência solidária dos problemas a resolver; a congregação de esforços na promoção de iniciativas; e a avaliação de resultados, em ordem às melhorias recomendáveis.