Questões Sociais Portugal assumiu pesadas responsabilidades perante a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional (a «troika»). Tal facto suscitou posições bastante divergentes: o Governo actual, como o anterior, comprometeu-se a honrar os compromissos assumidos; a oposição, suposta à «esquerda» do PS, opõe-se frontalmente, com base em argumentos de ordem vária; e o PS dispõe-se a honrar os compromissos, mas com reservas.
Na panóplia de argumentos invocados pela «esquerda», figuram estes: o direito dos portugueses à melhoria das condições de vida, sem austeridade; o poder soberano do país, sem ingerências estranhas; a responsabilidade do Euro, da União Europeia e dos «mercados» pela situação em que nos encontramos; a crise geral de liderança; o imperativo de prioridade ao crescimento económico e ao próprio aumento dos salários, para que o país se liberte de dependências financeiras… No geral, estes argumentos não se encontram bem fundamentados e, sobretudo, não se articulam com propostas alternativas consistentes.
A posição do PS está a evoluir, como era de esperar: parece actuar agora como o PSD e o CDS-PP actuaram em relação ao seu Governo; não se trata, certamente, de vingança, mas de um procedimento corrente na vida política. A oposição do PS ao imposto extraordinário relacionado com o 13.º mês é um indício bastante significativo a ter em conta; é certo que o «Memorando» não prevê o imposto, mas é altamente provável que ele seja indispensável para a consecução dos objectivos acordados.
Será que ainda prevalece, entre nós, uma vaga de fundo contra o pagamento das dívidas do Estado e do país? – A nível das forças políticas parece que sim, exceptuando o Governo, com o apoio dos respectivos partidos; acontece agora o que tinha acontecido no tempo do Governo anterior. Quanto ao povo em geral, por enquanto, não existem dados que permitam uma resposta válida. Mas perguntar-se-á: qual a orientação mais compatível com a honra do país e de cada um de nós? – É o que será objecto do próximo artigo.
