Eixo homenageou antigo pároco

Falecido em 1709, deve-se ao Padre Morais Cabral, natural de Mira, a edificação da igreja matriz de Santo Isidoro.

No passado dia 15 de Agosto, a paróquia de Eixo prestou uma singela mas sentida homenagem ao Padre Diogo de Morais Cabral – o pároco que se lançou na empresa da construção da actual igreja matriz de Santo Isidoro. Iniciou assim a concretização do sonho de um novo templo mais espaçoso do que o anterior, o qual se encontrava em avançado estado de ruína; já em 1688 o bispo de Coimbra, D. João de Melo, na sua visita pastoral, incentivara a nova edificação que, por dificuldades económicas e outras, apenas seria iniciada em 1706.

O Padre Morais Cabral, natural da freguesia de Mira, foi pároco de Eixo desde Fevereiro de 1681 e aqui faleceu em 19 de Novembro de 1709, legando a sua casa para a residência dos párocos; em Abril do ano seguinte, sucedeu-lhe o Padre Manuel Antunes Varela, natural da freguesia de São Joaninho (Santa Comba Dão). Em 1711, o bispo D. António de Vasconcelos e Silva, indo a Eixo, ao verificar o andamento das paredes, louvou a generosidade e o brio manifestados pelo povo. Na prossecução dos trabalhos, em 1718, seria o fechamento do arco-cruzeiro da igreja e, em 1726, já nela se celebrava o culto.

Como a ermida de Nossa Senhora da Graça foi a matriz durante o tempo da construção do novo templo, no centro da sua capela-mor foram sepultados os restos mortais daquele sacerdote, em cuja pedra tumular se mantém a seguinte inscrição: – “Aqui jaz o Reverendo Diogo de Morais Cabral, reitor desta igreja. Faleceu em Novembro de 1709”. A referida pedra, durante as obras efectuadas no interior desta capela em 1860, lamentavelmente puseram-na a servir como soleira da porta principal; depois, em 2001, foi salvaguardada no interior do edifício e agora dignamente devolvida ao seu lugar primitivo. Entendeu-se – e bem – ser um acto de justiça.

Nesta comemoração evocativa do terceiro século da morte do referido sacerdote, a paróquia também se quis associar às intenções do “Ano Sacerdotal”, embora este já se tenha encerrado em Junho passado.

Mons. João Gaspar